Livros e teatro estimulam linguagem, imaginação e vínculos na educação infantil
Mais do que entretetimento, a contação de histórias cumpre importante papel no desenvolvimento da criança
Na roda, no tapete da sala ou debaixo da árvore do pátio, a cena se repete na educação infantil: olhos atentos, corpos inclinados para frente e um silêncio curioso que anuncia expectativa. Quando alguém começa com “Era uma vez”, a imaginação entra em movimento.
Mais do que entretenimento, a contação de histórias tem papel importante no desenvolvimento infantil. Ao ouvir narrativas, os pequenos ampliam o vocabulário, desenvolvem a linguagem oral e começam a organizar o pensamento em sequência entendendo que toda narrativa tem começo, meio e fim.
Esse contato também contribui para a formação das bases da leitura e da escrita, habilidades que serão aprofundadas nos anos seguintes da vida escolar.
Para a coordenadora do Colégio Politécnico, Natércia Rodrigues, a contação ocupa lugar central no processo educativo. “Quando contamos uma história, ajudamos a organizar o pensamento, compreender emoções e construir significados. A narrativa prepara o terreno para muitas aprendizagens que virão depois”, explica.
“Para mim, como professora, é um grande prazer utilizar a contação de histórias como ferramenta na minha prática pedagógica. É encantador observar o olhar das crianças quando embarcamos juntos em uma nova história. No pré-1, a imaginação é muito potente, então praticamente qualquer recurso pode ganhar vida: um objeto vira fantoche, uma situação vira enredo. A partir das histórias, conseguimos trabalhar muitas coisas — desde medos e inseguranças até conteúdos como letras e números. Assim, abrimos para as crianças um mundo rico, cheio de possibilidades, onde aprender se torna algo natural, leve e prazeroso”, afirma a professora Laís Aguiar de Almeida.
Imaginação
O contato frequente com narrativas fortalece habilidades cognitivas e socioemocionais. Ao acompanhar a trajetória de personagens, os pequenos exercitam atenção, memória e imaginação. Também passam a reconhecer sentimentos e compreender diferentes perspectivas.
“A história permite que a criança se coloque no lugar do outro. Ela percebe o medo de um personagem, a alegria de uma conquista ou a tristeza diante de um conflito. Isso amplia a forma como entende as relações humanas”, afirma Natércia.
Esses momentos de escuta também ajudam a fortalecer vínculos dentro da escola. A voz do professor, as pausas na narrativa e as expressões utilizadas criam um ambiente de acolhimento e participação.
“Quando a criança se sente segura, participa mais e se envolve com a atividade”, destaca a coordenadora.
“Como professora de educação infantil sou apaixonada por histórias e livros infantis. Através das histórias, as crianças viajam no mundo da imaginação e da criatividade. Além de ser uma excelente forma de aprendizado, ampliação do repertório vocabular e incentivo a leitura. E a vivência se torna mais significativa e prazerosa quando a criança participa como protagonista das histórias e das peças teatrais”, destaca a professora Pamela Terezinha Caldeira de Souza.
Encontro com livros
Antes de aprender a decifrar letras, os alunos já iniciam suas primeiras experiências de leitura. Na educação infantil, o contato com o livro muitas vezes começa pelo toque, abrir, fechar, folhear páginas, observar cores e explorar ilustrações fazem parte de uma experiência sensorial importante.
“Quando a criança manuseia um livro, cria uma relação de curiosidade e pertencimento com esse objeto. O livro deixa de ser algo distante e passa a ser um convite à descoberta. As imagens desempenham papel essencial nesse processo. Ao observar personagens, cenários e expressões, os pequenos formulam hipóteses sobre o que está acontecendo e constroem suas próprias narrativas. Mesmo sem ler palavras, eles interpretam imagens e constroem sentido. Isso também é leitura”, explica Natércia
Narrativa ganha vida
Na educação infantil, a contação de histórias costuma ser o ponto de partida para outras experiências. O uso de fantoches e a dramatização tornam a atividade mais interativa e envolvente. Quando os personagens ganham voz e movimento, a participação aumenta.
“Muitas crianças, especialmente as mais tímidas, se sentem mais seguras para falar quando o personagem interage diretamente com elas.O teatro amplia ainda mais essa vivência. Ao dramatizar, os alunos precisam compreender o enredo, interpretar emoções e cooperar com os colegas para que a cena aconteça. Essa prática estimula expressão oral, criatividade e habilidades sociais”, observa Natércia.
“Contação de histórias, leitura de imagens, fantoches e teatro formam um percurso de aprendizagem que começa na escuta e se transforma em expressão. Nesse processo, as crianças desenvolvem linguagem, imaginação, empatia e autonomia. Em um cenário em que as telas disputam cada vez mais a atenção dos pequenos, momentos de escuta e interação em torno das narrativas ganham ainda mais importância. Antes de aprender a escrever o próprio nome, a criança aprende a escutar o mundo. E a história é um dos primeiros caminhos para essa descoberta.Mais do que preparar para a alfabetização, as histórias ajudam a formar leitores do mundo, capazes de observar, questionar e imaginar desde cedo”, finaliza a coordenadora.