Consumo de peixe cresce até 30% na Quaresma

Tradição religiosa impulsiona vendas no Mercado Municipal, que pode até triplicar na Semana Santa

Por Caroline Mendes

Peixarias reforçam estoques e negociam preços com fornecedores

Avenda de peixes ganha impulso no Mercado Municipal e em peixarias de Sorocaba durante a Quaresma (período de 40 dias entre a Quarta-Feira de Cinzas e a Páscoa). A tradição de retirar a carne vermelha da alimentação, especialmente às sextas-feiras, reforça o consumo de pescado e aquece o comércio local.

Dados da Associação Brasileira de Fomento ao Pescado indicam que na Quaresma o consumo de peixe costuma crescer, em média, 20%. Já a Peixe BR projeta aumento de até 30% na demanda no período, impulsionado tanto por tradições religiosas quanto por uma mudança de hábito do consumidor, que busca proteínas consideradas mais saudáveis. Segundo a entidade, o consumo de pescado no Brasil cresceu mais de 8% no último ano, consolidando o peixe como proteína cada vez mais presente no dia a dia.

No Mercado Municipal, a maior procura por peixe é percebida desde o início do período religioso. O proprietário de uma peixaria, Rafael Gomes da Silva, afirma que o aumento começa logo na Quarta-Feira de Cinzas. “Já tem muita gente que não come carne vermelha nesse dia, então a procura cresce. Durante a Quaresma aumenta, mas o grande pico mesmo é na Semana Santa, especialmente na Sexta-Feira Santa”, explica.

De acordo com ele, na Quaresma as vendas sobem cerca de 20% em relação a um período comum. Já na Semana Santa, o volume pode ser duas ou até três vezes maior que em um dia normal. Para este ano, a expectativa é de crescimento de aproximadamente 10% sobre o mesmo período do ano passado.

Entre os produtos mais procurados estão o filé de merluza e o filé de tilápia, preferidos por não ter espinhos. A tradicional sardinha mantém espaço garantido nas mesas, além do bacalhau salgado, bastante requisitado para a preparação da bacalhoada típica da Semana Santa.

Reforço no estoque

Apesar do aumento na demanda, Rafael afirma que não houve reajuste nos preços e que a expectativa é manter os valores também na Semana Santa. “Muita coisa já está negociada com antecedência. Se houver algum reajuste, deve ser mínimo. O consumidor não deve ter surpresa”, diz.

Para atender ao movimento, a peixaria reforçou o estoque e ampliou a equipe com a contratação de trabalhadores temporários. “A gente já se prepara com antecedência para não faltar mercadoria. Normalmente as pessoas deixam para a última hora, por ser um produto fresco, mas estamos organizados.” Ele observa ainda que o tíquete médio tende a aumentar no período. “Muitas famílias se reúnem, então quem costuma cozinhar para duas ou três pessoas acaba comprando para mais gente.”

Além dos peixes frescos, o camarão também registra aumento na procura, embora em menor escala, de acordo com Rafael.

Hábito

Entre os consumidores, a tradição religiosa segue como principal motivação. A aposentada Maria Nair conta que mantém o costume durante todo o ano. “Eu não como carne nenhuma nas sextas-feiras. É uma promessa que fiz e continuo cumprindo”, afirma.

Uma consumidora ouvida pela reportagem afirma que come peixe também todas as sextas-feiras. “É uma tradição de família e também uma questão religiosa”, relata.