Impermeabilização e urbanização ampliam risco de alagamentos
Para especialistas, episódios como esse ajudam a explicar por que cidades em expansão enfrentam cada vez mais episódios de alagamentos durante temporais
Sorocaba registrou mais de 114 milímetros de chuva em apenas três horas no sábado (7), volume superior ao acumulado de todo o mês de março de 2025. Para especialistas, episódios como esse ajudam a explicar por que cidades em expansão enfrentam cada vez mais episódios de alagamentos durante temporais.
De acordo com o meteorologista do Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil do Estado, William Minhoto, a impermeabilização do solo altera o comportamento da água da chuva nas áreas urbanas e aumenta o volume que chega rapidamente aos sistemas de drenagem. Além disso, o crescimento urbano pode influenciar no aumento de alagamentos, especialmente com a impermeabilização do solo.
Segundo William, quando áreas naturais são substituídas por pavimentação, concreto e edificações, a água da chuva deixa de infiltrar-se no solo e passa a escoar rapidamente pela superfície. “Em ambientes urbanos altamente impermeabilizados, a água que antes seria absorvida pelo solo passa a escoar rapidamente sobre superfícies impermeáveis, se concentrando em ruas, avenidas e sistemas de drenagem urbana”, explica.
Esse processo aumenta o volume de água que chega aos sistemas de drenagem e aos cursos d’água urbanos. Quando não há capacidade para suportar grandes volumes em curto intervalo, pode ocorrer extravasamento e alagamentos.
Crescimento urbano
O arquiteto e urbanista Tiago da Guia, professor da Universidade de Sorocaba (Uniso), afirma que o crescimento das cidades também influencia no aumento de enchentes urbanas, principalmente quando envolve alterações no curso natural de rios e córregos.
Segundo ele, modelos de urbanização baseados na retificação de rios e canalização de córregos ampliaram áreas destinadas à construção e circulação de veículos. “Em momentos de grande vazão pluvial, os cursos d’água tendem a retornar ao seu estágio natural, anterior às intervenções realizadas ao longo do processo de urbanização”, explica.
O urbanista afirma que a impermeabilização do solo aumenta o volume de água direcionado às galerias pluviais e aos rios. Como exemplo, ele cita áreas mais baixas da cidade, mais suscetíveis a enchentes.
VOLUME DE CHUVA
Região do Cerrado
114,8 milímetros
Brigadeiro Tobias
91,9 milímetros
Jardim Saira
91,8 milímetros
Bairro dos Morros
67,2 milímetros
Éden
57,8 milímetros
Aparecidinha
42,8 milímetros
* Dados coletados dos pluviômetros instalados em diferentes regiões
de Sorocaba