Da jornada de trabalho à maternidade, mulheres relatam desafios e conquistas
No Dia Internacional da Mulher, sorocabanas compartilham histórias de superação, luta contra o preconceito e busca por igualdade
Antes mesmo de o dia clarear, muitas mulheres já começaram a jornada diária. Entre trabalho, responsabilidades familiares e afazeres do dia a dia, elas seguem construindo suas trajetórias com coragem e determinação. Em diferentes profissões e fases da vida, as mulheres enfrentam desafios, superam obstáculos e seguem ocupando espaços na sociedade.
Para marcar o Dia Internacional da Mulher celebrado hoje, 8 de março, a reportagem ouviu mulheres nas ruas de Sorocaba para entender quais são os desafios enfrentados e o que elas esperam para o futuro.
Os relatos mostram que, embora muitos avanços tenham sido conquistados ao longo das últimas décadas, ainda existem barreiras a serem superadas. Ao mesmo tempo, as histórias também revelam algo em comum entre elas: a força feminina presente no cotidiano.
Para a auxiliar de limpeza Ana Paula Carvalho Cruz, a busca por respeito ainda é uma realidade constante, especialmente no ambiente de trabalho. Segundo ela, além das dificuldades para conseguir emprego, muitas mulheres ainda enfrentam situações de preconceito, sobretudo quando se trata de mulheres negras ou que atuam em profissões historicamente pouco valorizadas. “O emprego ainda é muito difícil. Existe muito preconceito, principalmente para a mulher negra. A gente que trabalha com limpeza sente muito isso no dia a dia.”
Ana Paula afirma que ainda é possível perceber atitudes discriminatórias em diversos ambientes. “Tem muito preconceito ainda. Às vezes as pessoas nem percebem, mas acontece.” Outro ponto que preocupa a trabalhadora é a violência, um problema que continua sendo destaque nas notícias e que, segundo ela, precisa ser enfrentado com mais firmeza. “Existe muita violência contra as mulheres, tanto verbal quanto física. A gente vê isso acontecer e fica triste.”
Para ela, falar sobre o assunto e denunciar situações de agressão é fundamental para enfrentar o problema. “A gente tem que denunciar. Eu conheço casos e já passei por isso também. É importante não ficar em silêncio.”
A participação das mulheres no mercado de trabalho tem crescido ao longo dos anos. Ainda assim, muitas profissionais relatam que o reconhecimento nem sempre acontece da mesma forma que para os homens. A comerciante Angela Maria Rodrigues da Silva observa essa realidade diariamente em seu próprio negócio.
Segundo ela, as mulheres estão cada vez mais presentes em diferentes áreas profissionais e demonstram grande dedicação às atividades que desempenham.
Na rotina do comércio, Angela afirma perceber o esforço e a dedicação das mulheres que trabalham ao seu redor. “Eu vejo muitas mulheres trabalhando até mais que os homens. Em várias áreas elas estão muito atuantes, batalhando para conquistar o espaço delas.”
Mesmo com avanços, ela acredita que a sociedade ainda precisa evoluir em aspectos fundamentais, especialmente no que diz respeito ao respeito e à segurança feminina. “Ainda existe muita violência contra as mulheres. Isso não deveria acontecer.”
Para ela, a persistência é uma das principais ferramentas para enfrentar os desafios da vida. “Força e persistência. Quem tem sonhos e objetivos precisa correr atrás.”
Trabalho e filhos
A rotina de muitas mulheres envolve uma jornada dupla ù ou até tripla ù entre trabalho, cuidados com a casa e atenção à família. Para a ambulante Juliana Aparecida Brasil, esse equilíbrio exige organização, apoio familiar e muita disposição. Ela conta que o dia começa cedo e termina apenas à noite. Mesmo depois do expediente, ainda há tarefas esperando em casa. “Trabalho das oito da manhã até o começo da noite. Depois ainda tem que organizar tudo, limpar as coisas e cuidar da criança.”
Mãe de dois filhos, Juliana explica que o apoio da família é essencial para conseguir manter a rotina. “Minha mãe me ajuda. Como meu horário é muito estendido, ela fica com meu filho quando ele sai da escola.”
Além da correria diária, o cenário econômico também influencia diretamente na rotina de trabalho. “Hoje está tudo muito caro. A gente precisa pesquisar preço em vários lugares para conseguir trabalhar e ter algum lucro.”
Com tantas responsabilidades, encontrar tempo para cuidar de si mesma acaba sendo um desafio. “Para cuidar da saúde mental é difícil. Às vezes dá para arrumar um tempinho para ir ao salão, mas cuidar da saúde mesmo é mais complicado.”
A designer Maria Eduarda Gil Peixoto acredita que os avanços conquistados pelas mulheres são importantes, mas ainda insuficientes para eliminar desigualdades. “Por mais que a nossa luta tenha evoluído muito, ainda encontramos problemas em quase todos os aspectos da vida.”
Casos de violência contra mulheres continuam sendo motivo de preocupação. “Você entra nas redes sociais e vê muitos casos de feminicídio e perseguição. Isso assusta.” Para Maria Eduarda, mudanças culturais e educacionais são fundamentais para transformar essa realidade.
Maternidade e resistência
A auxiliar de produção Shirley Soares Vieira vive a realidade de muitas mulheres que precisam conciliar trabalho e maternidade praticamente sozinhas. Mãe solo, ela conta que a filha é a principal motivação. Mesmo com uma rotina intensa de trabalho, Shirley faz questão de acompanhar o crescimento da filha e participar das atividades dela. “Sempre que posso levo ela para fazer esporte, passeio com ela e procuro estar presente.”
A vendedora Sônia Regina Daniel Redondo representa a força feminina diante das mudanças da vida. Viúva, ela decidiu voltar ao mercado de trabalho para manter a rotina e as responsabilidades da casa. Para ela, existe uma qualidade essencial para enfrentar o cotidiano. “A palavra que define a mulher é coragem. Sem coragem a gente não consegue enfrentar o dia a dia.”
Muito além de uma data
As histórias dessas mulheres mostram que, embora o Dia Internacional da Mulher seja uma data simbólica, a luta por igualdade, respeito e segurança acontece todos os dias. Elas seguem construindo suas histórias com coragem e determinação.