Indústria projeta alta na produção e vendas de chocolate na Páscoa
Consumidores buscam alternativas mais baratas; aumento nos preços chega até 15% no varejo
A indústria brasileira de chocolates projeta crescimento na produção e nas vendas para a Páscoa de 2026. A expectativa positiva também se reflete no varejo, embora consumidores já demonstrem maior sensibilidade aos preços e busquem opções mais acessíveis.
De acordo com a ABICAB (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados), o setor mantém ritmo estável de produção nos últimos anos. Em 2024, foram produzidas 805 mil toneladas de chocolate no país. Em 2025, o volume chegou a 806 mil toneladas. Entre as razões apontadas, cenário de maior estabilidade econômica e menor taxa de desemprego
Para 2026, a indústria aposta em produtos com gramaturas e tamanhos variados para atender diferentes faixas de renda. O chocolate ao leite segue como preferência nacional, mas há ampliação do portfólio com formulações mais intensas, maior teor de cacau e combinações com frutas, castanhas, pistache e amendoim.
A produção dos itens sazonais começa com antecedência: os produtos de Páscoa, incluindo os ovos, passam a ser preparados a partir de agosto do ano anterior. A entidade também prevê a criação de mais de 10 mil empregos temporários neste ano. Segundo a associação, cerca de 20% desses trabalhadores acabam efetivados após o período sazonal.
Reajuste de até 15% no varejo
Nos supermercados, os ovos de Páscoa começaram a chegar já na primeira semana de janeiro. Segundo o gerente Fabiano Nunes, houve reajuste de preços entre 10% e 15% em relação ao ano passado, tanto nos ovos quanto no chocolate em geral.
“O cliente está vindo comparar bastante preço”, afirma. Ele observa que a procura maior, neste início de temporada, tem sido por marcas mais acessíveis, com ovos na faixa de R$ 7 a R$ 15 ou R$ 16. “Por enquanto, a procura está sendo maior por esses.”
Outra tendência percebida pelo varejo é o aumento da busca por barras de chocolate para produção caseira. “Eles estão buscando mais para fazer o ovo caseiro do que para comprar o ovo em si”, diz o gerente. O supermercado já oferece promoções nas barras voltadas ao público que pretende fabricar os próprios produtos e também em ovos de menor gramatura.
Apesar do reajuste, a expectativa do estabelecimento é de crescimento nas vendas entre 14% e 20% em comparação ao ano passado. “Até então, a gente comprou mais do que comprou no ano passado, contando chocolate de modo geral”, afirma Nunes. Segundo ele, o pico das vendas costuma ocorrer na última semana antes da Páscoa.
Consumidor adia decisão e critica preços
Entre os clientes, o cenário é de cautela. A terapeuta ocupacional Vanessa Rocha afirma que ainda avalia o que irá comprar. “Não sei se vai ser ovo de Páscoa”, diz. Segundo ela, a tendência é optar por chocolates em pacote ou barras. “O ovo acaba não comendo e estraga.”
Já a professora Fátima critica os valores encontrados nas prateleiras. “É um absurdo, de fato”, comenta ao mencionar um ovo de 375 gramas por R$ 91. Mesmo assim, afirma que ainda não buscou alternativas, pois os netos são seletivos em relação às marcas.
Com reajustes nos preços e variedade maior de produtos, a Páscoa de 2026 deve repetir a combinação de otimismo da indústria com cautela do consumidor, que pesquisa mais antes de decidir e avalia substituir os tradicionais ovos por opções consideradas mais econômicas.