Queda no preço dos recicláveis paralisa coleta seletiva e afeta bairros de Sorocaba

Coreso perdeu quase metade dos cooperados e suspendeu coleta em regiões como Wanel Ville, Central Parque e zona leste

Por Cruzeiro do Sul

Por causa de dificuldades, cooperados pedem que materiais sejam levados ao Ecoponto, na Vila Colorau


A forte queda no preço dos materiais recicláveis tem provocado uma crise na Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba (Coreso) e já impacta a coleta seletiva em muitos bairros da cidade. Segundo a secretária e membro da diretoria da cooperativa, Cláudia Maria Rodrigues Machado, a redução superior a 30% nos valores pagos pela indústria inviabilizou a manutenção da equipe e obrigou a suspensão parcial dos serviços.

De acordo com ela, o plástico do tipo PET (um dos principais materiais comercializados) caiu cerca de R$ 5,20 para R$ 2,90 o quilo em algumas semanas. “O que a gente tirava na quinzena, R$ 1.000, R$ 1.200, agora está em R$ 500. Não está pagando nem o vale-transporte”, afirmou.

A cooperativa, que chegou a contar com mais de 55 cooperados, atualmente opera com cerca de 30 trabalhadores. “Em um dia tinha dois cooperados para ir à rua. Para sair com os caminhões, preciso de pelo menos 16 pessoas”, relata Cláudia.

Com a redução do quadro, quatro caminhões ficaram parados durante a semana e bairros como Central Parque, Jardim Bandeirantes, Wanel Ville, Jardim Simus e Cidade Jardim estão há quase um mês sem coleta regular. A situação também afeta condomínios de grande porte, que garantem volume significativo de material para triagem.

A Coreso mantém acordo de cooperação com a Prefeitura de Sorocaba, renovado anualmente. No entanto, não há subsídio financeiro direto. A renda dos cooperados depende exclusivamente da venda dos recicláveis. “Sem auxílio, sem um contrato emergencial, não conseguimos manter os cooperados”, lamenta Cláudia.

A diretoria da Coreso protocolou ofícios ao prefeito, à Secretaria de Governo, à Secretaria do Meio Ambiente e aos vereadores solicitando apoio emergencial. Segundo Cláudia, a assessoria do prefeito informou que o pedido foi encaminhado para análise da Secretaria de Governo e aguarda despacho.

Moradores

No Wanel Ville, onde a coleta seletiva foi implantada em 2019 após mobilização da comunidade, a interrupção tem gerado reclamações. O presidente da associação de bairro, Célio Nascimento, afirma que a prática estava consolidada entre os moradores.

“Hoje estamos passando grande dificuldade. A falta da coleta desmotiva quem separa o material. Alguns levam ao Ecoponto, mas a maioria acaba descartando junto ao lixo orgânico”, diz Célio. Segundo ele, houve aumento do volume de resíduos nos contêineres, que já são insuficientes para atender a demanda, deixando pontos de acúmulo nas ruas.

A associação tem mobilizado moradores a fim de sensibilizar o poder público sobre a necessidade de investimentos nas cooperativas. “Entendemos que a única forma é a prefeitura contratar de forma emergencial os serviços da cooperativa para manter os cooperados na ativa”, considera Célio.

Posicionamento

Em nota, a Prefeitura de Sorocaba reconheceu o papel das cooperativas na proteção ambiental e geração de renda, mas enfatizou que a queda no preço dos recicláveis ocorre em âmbito nacional.

A administração municipal esclareceu que não há repasse financeiro às cooperativas, apenas acordo de cooperação para a realização da coleta seletiva porta a porta, triagem e comercialização. A prefeitura afirma que investe na concessão de barracão, caminhões com insumos e motoristas, além de equipamentos de triagem, sendo a mão de obra de responsabilidade das cooperativas.

Segundo a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), as cooperativas recolhem cerca de 300 toneladas de recicláveis por mês em Sorocaba.

A administração municipal informou ainda que participa do programa Integra Resíduos, do governo estadual, que estuda um novo modelo regional para a gestão de resíduos sólidos, incluindo a integração de catadores. Desta maneira, a prefeitura aguarda a definição dos próximos passos do programa estadual.

Enquanto isso, a Coreso orienta que moradores levem os materiais recicláveis diretamente ao Ecoponto da cooperativa, que fica na rua Encarnação Rando Castelucci, 70, Vila Colorau. “Se a esteira parar, não temos mais o que fazer. A gente precisa de ajuda para não parar de vez”, conclui Cláudia. (Caroline Mendes)