Novo arcebispo de Sorocaba defende Igreja próxima, missionária e atenta às vocações
Às vésperas da posse, Dom José Roberto Fortes Palau afirma que início da missão será marcado por escuta, diálogo e valorização do laicato
“A primeira atitude é ouvir.” Com essa frase, o novo arcebispo da Arquidiocese de Sorocaba, Dom José Roberto Fortes Palau, resumiu o tom que pretende adotar no início de seu governo pastoral. A declaração foi feita nesta sexta-feira (27), durante coletiva de imprensa, na véspera da missa de posse canônica, marcada para sábado (28), às 15h, na Catedral Metropolitana.
Nomeado em 8 de janeiro pelo Papa Leão XIV, em anúncio do Vaticano divulgado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom José deixa a Diocese de Limeira para assumir a condução da Igreja na região de Sorocaba. “Recebi a nomeação com surpresa, mas com espírito de serviço. É uma missão que acolho com fé”, afirmou.
Segundo ele, o primeiro passo será conhecer de perto a realidade arquidiocesana. “Antes de propor qualquer projeto, é preciso escutar”, disse. “Quero visitar as paróquias, conversar com os padres, com os religiosos e com as lideranças leigas. A Igreja se constrói na comunhão.”
A partir dessa escuta, Dom José pretende fortalecer áreas que considera essenciais para a vida da Igreja. Entre elas, estão as vocações. “A Igreja precisa rezar pelas vocações e criar uma cultura vocacional”, destacou. Ele reconheceu a diminuição no número de candidatos ao sacerdócio e à vida religiosa e reforçou que o tema deve envolver toda a comunidade. “Não é responsabilidade apenas do seminário ou de um grupo específico. É missão de todos.”
Nesse contexto, ressaltou também a importância da vida religiosa feminina. “As religiosas têm presença decisiva nas comunidades. A vida consagrada sustenta a ação pastoral em muitos lugares”, afirmou. Para ele, é necessário “valorizar, acompanhar e incentivar” novas vocações.
Ao tratar da participação dos leigos, fez questão de enfatizar que a missão da Igreja é compartilhada. “A Igreja não caminha sem o laicato”, declarou. Segundo o arcebispo, investir em formação é fundamental para que os leigos atuem com segurança e consciência de sua missão. “Eles estão nas escolas, nas universidades, no mundo do trabalho. Levam o Evangelho a ambientes onde, muitas vezes, o padre não está.”
Outro ponto abordado foi a preservação do patrimônio histórico, artístico e religioso. Dom José afirmou que o cuidado com igrejas, imagens e documentos faz parte da responsabilidade pastoral. “Esses bens contam a história da fé do nosso povo”, disse. “Precisam ser preservados com responsabilidade e diálogo com a sociedade.”
Ao falar sobre os desafios do novo cargo, destacou a necessidade de unidade e proximidade. “O desafio é evangelizar no tempo de hoje, com linguagem acessível e presença concreta”, afirmou. “A Igreja precisa estar próxima das pessoas, especialmente das que mais sofrem.”
A missa de posse deste sábado marcará oficialmente o início do arcebispado. Durante a celebração, Dom José fará a profissão de fé, receberá o báculo — símbolo do pastoreio — e assumirá a cátedra, gesto que representa a autoridade pastoral na arquidiocese. “Peço que rezem por mim, para que eu seja um pastor segundo o coração de Cristo”, concluiu. A cerimônia será aberta ao público.