Sorocaba ganha 8ª subestação de energia, mas desafios seguem no radar
Com investimento de R$ 41 milhões, nova unidade amplia capacidade instalada para 560 MVA e promete mais flexibilidade ao sistema elétrico da cidade
Sorocaba passou a contar oficialmente, nesta quinta-feira (26), com a oitava subestação de energia elétrica em operação. A unidade Sorocaba 8-Horto foi inaugurada pela CPFL Energia com investimento total de R$ 41 milhões — sendo R$ 38 milhões aplicados na construção da estrutura e R$ 3 milhões na integração às redes já existentes.
A nova subestação tem potência instalada de 40 MVA e eleva para 560 MVA a capacidade total do município, somadas as demais sete unidades já em funcionamento. Segundo a concessionária, cerca de 30 mil clientes devem ser atendidos diretamente, especialmente nos bairros Jardim Botucatu, Jardim Orto e regiões próximas até a divisa com Porto Feliz.
De acordo com o diretor-presidente da CPFL Piratininga, Osvanil Oliveira Pereira, o investimento foi antecipado em razão do crescimento acelerado da cidade. “Sorocaba é hoje a cidade de maior carga dentro da nossa área de concessão. A estratégia é antecipar investimentos para atender o crescimento e evitar gargalos”, afirmou.
A empresa sustenta que, com a nova estrutura, o município terá horizonte de dois a três anos sem necessidade de construção de outra subestação, embora já estejam previstos reforços na rede de distribuição.
Crescimento urbano e pressão sobre a rede
A ampliação da infraestrutura energética acompanha a expansão imobiliária e industrial de Sorocaba. Nos últimos anos, novos empreendimentos residenciais e logísticos têm se instalado em regiões antes pouco ocupadas, elevando a demanda por energia.
Durante a cerimônia, representantes da companhia destacaram que, quando a cidade possuía apenas três subestações, o perfil de consumo era significativamente menor. Hoje, com oito unidades, o sistema precisa suportar tanto o aumento populacional quanto a modernização das atividades econômicas, que dependem de maior estabilidade no fornecimento.
Especialistas do setor elétrico apontam que a construção de novas subestações é fundamental para dar “flexibilidade operacional” ao sistema — ou seja, permitir transferências de carga entre circuitos e reduzir o impacto de falhas localizadas. Ainda assim, a qualidade percebida pelo consumidor depende também da condição das redes de média e baixa tensão espalhadas pelos bairros.
Indicadores de continuidade
A CPFL informou que fechou 2025 com média de 3,86 horas de interrupção anual por cliente (DEC) em sua área de concessão. Em Sorocaba, o índice foi de 2,9 horas no mesmo período. Segundo a empresa, isso representa fornecimento disponível em 99,95% do tempo.
O diretor-presidente afirmou que a meta é manter Sorocaba abaixo da média da concessionária. “Mais do que atender rápido, queremos evitar que desligue. A ampliação de subestações ajuda justamente a reduzir o impacto de ocorrências”, disse.
Apesar dos números apresentados, moradores ainda relatam episódios pontuais de oscilações em períodos de chuva intensa — situação que a empresa atribui principalmente à queda de árvores e a eventos climáticos severos.
Tecnologia e operação remota
A subestação Sorocaba 8 Porto é automatizada e monitorada à distância pelo centro de operações da companhia em Campinas. O sistema permite manobras remotas e automáticas, o que pode reduzir o tempo de resposta em caso de falhas.
Segundo a concessionária, o projeto já foi concebido com possibilidade de ampliação futura da capacidade instalada, sem necessidade de nova área física. A empresa também informou que está em andamento a substituição gradual dos medidores convencionais por equipamentos telemedidos, dentro de um programa de modernização da rede (smart grid). A promessa é permitir que consumidores acompanhem o consumo em tempo real por aplicativo.
Eventos climáticos e prevenção
Questionado sobre apagões durante temporais, Osvanil destacou que a companhia tem investido em redes mais robustas, postes reforçados e transformadores de maior capacidade. Ele também citou parceria com o município para manejo de árvores próximas à rede elétrica — um dos principais fatores de interrupção em dias de ventos fortes.
“Nosso desafio é tornar a rede mais resiliente. Isso envolve investimento contínuo e logística preparada para atendimento rápido”, afirmou.
A cerimônia contou com a presença de representantes da Prefeitura, da Câmara Municipal, do Procon e do Conselho de Consumidores. Ao final do evento, foi realizada simbolicamente a energização de um dos transformadores por comando remoto.
Com a nova subestação em operação, a infraestrutura energética da cidade avança para acompanhar o crescimento econômico. O impacto real para a população, no entanto, será medido nos próximos anos — na estabilidade do fornecimento, na resposta a eventos extremos e na capacidade de sustentar a expansão urbana sem sobrecarregar o sistema.