Moradores do Jardim Zulmira denunciam abandono em área da antiga linha férrea

Por Cruzeiro do Sul

Mato alto favorece aparecimento de animais peçonhentos, incêndios e aumenta a sensação de insegurança na zona oeste


Moradores do Jardim Zulmira, na zona oeste de Sorocaba, denunciam a falta de manutenção na área da antiga linha férrea localizada nos fundos da rua Carlos José Nardi. Segundo os relatos, o mato alto tem favorecido o aparecimento de animais peçonhentos, provocado incêndios e aumentado a sensação de insegurança no bairro.

Luiz Feitosa, morador da região, afirma que o problema é recorrente e que a comunidade cobra constantemente a realização de roçagem no local. Segundo ele, a presença frequente de animais peçonhentos preocupa quem vive nas proximidades da linha férrea.

A moradora Caroline Moraes conta que reside no bairro há cerca de dois anos e meio e que, nesse período, a limpeza da área foi realizada apenas uma vez. De acordo com ela, a prefeitura informa que o trecho é de responsabilidade da concessionária Rumo Engenharia, mas nem mesmo as áreas comuns da rua recebem manutenção regular. “Só a praça do outro lado é limpa, normalmente uma ou duas vezes por ano, mas o mato cresce muito rápido”, afirma.

Ainda segundo Caroline, o mato alto tem provocado o aparecimento constante de aranhas, escorpiões, lagartos e outros animais. Ela conta que realiza dedetização na residência a cada três meses, mas destaca que nem todos os moradores conseguem arcar com o custo. “É um bairro antigo, com muitos idosos. Não tem como deixar abandonado desse jeito”, diz.

Além do risco à saúde, os moradores relatam aumento da insegurança. Caroline afirma que a vegetação alta facilita a ação de usuários de drogas e criminosos, que utilizam o local como esconderijo. Ela conta que já teve a casa roubada e que há registros de furtos na rua, como o roubo de baterias de veículos. “Eles roubam e fogem direto para o mato, que está alto. Fica fácil se esconder.”

Outro problema apontado são os incêndios. Caroline conta que, em um dos episódios, o fogo atingiu árvores próximas às residências e causou prejuízos. Árvores frutíferas foram parcialmente queimadas e, em um incêndio recente, um vizinho perdeu galinhas que estavam em um galinheiro. “A fumaça foi muito forte. Meus cachorros estavam em casa e não sei como sobreviveram.”

Já a moradora Mirele Fernandes diz que a situação se arrasta há anos e se agravou após a paralisação da linha férrea. “Eles vêm, cortam só um pouco do mato, mas logo cresce de novo”, comenta. Segundo ela, incêndios já atingiram terrenos próximos e, em uma das ocasiões, os próprios moradores precisaram conter as chamas antes da chegada do Corpo de Bombeiros.

Mirele também relata a presença frequente de animais silvestres — como saruês — nas residências. De acordo com ela, usuários de drogas montam barracas na área e permanecem no local, o que aumenta o medo entre os moradores. “É um bairro de idosos, de aposentados. A vizinhança está com medo, todo mundo vive trancado”, ressalta.

O que diz a prefeitura?

A Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (Seplan) de Sorocaba alega que a área é particular e está sob responsabilidade da concessionária Rumo. Segundo a pasta, a empresa foi multada por reincidência em 2025, com base na Lei nº 10.475/2013, devido à falta de manutenção, conservação e limpeza do espaço.

Ainda de acordo com a Seplan, a situação é acompanhada por equipes de fiscalização, com monitoramento e inspeções frequentes realizadas pela equipe de Zoonoses. Ao longo dos anos, as vistorias identificaram irregularidades, o que resultou na emissão de notificações. Recipientes que não puderam ser removidos receberam tratamento com larvicidas e adulticidas. Diante do descumprimento das determinações, a empresa foi autuada e multada, conforme previsto na Lei Municipal nº 8.354/07.

O que diz a empresa?

A concessionária Rumo diz que os serviços de roçagem na zona oeste de Sorocaba já foram iniciados e seguem em execução ao longo deste mês. Segundo a concessionária, os trabalhos são realizados por empresas terceirizadas, conforme cronograma operacional que define a priorização das áreas atendidas. A empresa ressalta que o planejamento pode sofrer alterações em razão da frequência de chuvas neste período do ano, o que pode impactar o andamento dos serviços.

Em relação ao descarte irregular de lixo doméstico nas áreas próximas à ferrovia, a Rumo orienta que denúncias sejam feitas pelo telefone 0800 701 22 55 e reforça que o descarte deve ocorrer apenas em pontos de coleta disponibilizados pela administração municipal. (Maria Clara Campos - programa de estágio)