Economistas sugerem que rotatividade e aquecimento promoveram alta de empregos

Sorocaba fechou 2025 com saldo de 5.534 empregos formais, aponta Caged

Por Murilo Aguiar

Comportamento da indústria ajuda a explicar o resultado geral do município: "Admissões superaram as demissões de forma consistente, produzindo um saldo líquido expressivo", diz economista

Sorocaba terminou 2025 com 5.534 vínculos formais a mais do que no início do ano, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No acumulado de janeiro a dezembro, o município registrou 145.953 admissões e 140.419 desligamentos. Para economistas ouvidos pela reportagem, a leitura do resultado passa necessariamente pela relação entre o fluxo de admissões e desligamentos e o saldo final.

O economista Marcos Canhada aponta que a interpretação do Caged exige observar mais do que o número final. “Se há muitas admissões associadas a saldo positivo relevante, o mercado está aquecido. Como em Sorocaba, o saldo não é enorme em relação ao total movimentado, sugere a conjugação de aquecimento com rotatividade estrutural, comum em setores como indústria e serviços”, explica.

Já o professor e economista Alessandro Jordão afirma que o volume de movimentações é um indicativo do comportamento do mercado local. “O volume elevado de admissões indica um mercado com forte movimentação e demanda por trabalho. O saldo positivo expressivo mostra que essa movimentação não se limitou à substituição de trabalhadores: houve criação líquida relevante.”

O saldo do Caged coloca Sorocaba à frente de municípios de porte semelhante ou maior no volume de empregos formais gerados no período, como Santo André (5.183), São Bernardo do Campo (4.239), Ribeirão Preto (3.783), Campinas (3.304), Jundiaí (3.210), São Caetano do Sul (2.879) e Diadema (1.533). Os dados são da Fundação Seade, com base nas informações do Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego. São Paulo foi o estado que mais criou oportunidades no ano passado entre todas as Unidades da Federação — o equivalente a 900 vagas por dia. Sorocaba figura entre a 7ª cidade que teve mais vínculos formais.

Vagas na indústria

Na leitura de Canhada, em Sorocaba, esse movimento aquecido e rotativo aparece na distribuição das vagas entre os setores econômicos. A indústria liderou o saldo anual, com 1.955 postos, seguida por serviços, com 1.842. Comércio e construção civil também contribuíram, com 917 e 817 vagas, respectivamente. Para Jordão, o comportamento da indústria ajuda a explicar o resultado geral do município. “As admissões industriais superaram as demissões de forma consistente, produzindo um saldo líquido expressivo. Esse padrão indica ampliação de quadros produtivos, expansão de capacidade e aumento da atividade”, afirma.

Canhada observa que, apesar da liderança de indústria e serviços, o saldo não ficou concentrado em uma única atividade. “Indústria e serviços respondem por cerca de 68% do saldo total, o que indica liderança desses setores, mas não exclusividade. Podemos concluir que temos uma economia relativamente diversificada, mas sensível ao desempenho industrial e de serviços”, analisa.

A comparação com outras cidades reforça, na avaliação dos economistas, que o resultado não é isolado. Para Jordão, superar municípios maiores em saldo líquido indica a presença de fatores estruturais. Os especialistas também destacam que o saldo positivo não permite, sozinho, medir a qualidade das vagas geradas.

Aumento pode ter outro significado

Essa limitação ajuda a explicar por que o aumento do emprego formal pode não se refletir automaticamente em crescimento da renda média. “Isso pode ocorrer quando a expansão do emprego se concentra em postos de menor remuneração ou quando os salários crescem abaixo da inflação”, explica Canhada. Jordão acrescenta que, embora a presença da indústria possa reduzir esse risco, a confirmação depende de dados sobre salários de admissão.

Outra hipótese levantada pelos economistas é a influência de fatores conjunturais sobre o resultado anual. Canhada cita a possibilidade de impactos de incentivos, obras e contratos temporários. “Para identificar esse tipo de influência, é necessário analisar a continuidade da geração de empregos nos períodos seguintes e a natureza dos contratos firmados”, diz.

 

 As 20 cidades com mais vagas, segundo o Caged

1-São Paulo: 101.818

2-Osasco: 24.916

3-Guarulhos: 12.836

4-Barueri: 9.087

5-Santos: 6.327

6-São José dos Campos: 6.292

7-Sorocaba: 5.534

8-Santo André: 5.183

9-Matão: 4.260

10-São Bernardo do Campo: 4.239

11-Ribeirão Preto: 3.783

12-Campinas: 3.304

13-Jundiaí: 3.210

14-Cajamar:2.985

15-Tatuí: 2.908

16-São Caetano do Sul: 2.879

17-Taubaté: 2.834

18-Atibaia: 2.650

19-Mogi-Guaçu: 2.536

20-Monte Azul Paulista: 2.475