Moradores denunciam desordem e crimes no Maria Eugênia

Relatos de disparos de arma, assaltos e invasões a residências se somam a aglomerações e motos

Por Cruzeiro do Sul

Motos com escapamentos adulterados e manobras perigosas com carros durante a madrugada infernizam quem mora no bairro


Moradores da rua Atanázio Soares, na altura do nº 3.100, no Jardim Maria Eugênia, zona norte de Sorocaba, afirmam que convivem há cerca de um ano com episódios frequentes de barulho excessivo, aglomerações, brigas, motos com escapamentos adulterados e manobras perigosas com carros durante a madrugada, além de relatos de disparos de arma de fogo, assaltos e invasões a residências. Segundo eles, a situação se repete principalmente aos fins de semana e atravessa a noite até as primeiras horas da manhã.

Os denunciantes, que pediram para não serem identificados por receio de represálias, descrevem uma rotina de interrupção do sono e insegurança constante. Há moradores que relatam sair para o trabalho sem ter conseguido dormir. “Hoje era 6 horas da manhã e eu ainda não tinha conseguido dormir. Isso tem sido normal para a gente aqui”, contou um morador.

De acordo com os relatos, carros com som alto e motos, muitas vezes sem placa e com escapamentos modificados, passam a se concentrar na via durante a noite. A movimentação, segundo eles, inclui consumo de bebidas alcoólicas, uso de drogas em via pública, discussões e brigas no meio da rua. “Não é uma situação pontual. Todo final de semana é a mesma coisa. A gente já sabe que não vai conseguir descansar”, afirmou outro morador.

Há também queixas sobre direção perigosa. Um dos denunciantes relatou que, ao sair de casa de madrugada para trabalhar, quase foi atingido por um veículo que realizava manobras conhecidas como “cavalo de pau” na rua. “Quando saí para trabalhar, tinha um carro girando no meio da rua. Quase me acertou. A gente sai com medo”, disse.

Os moradores afirmam ainda que pessoas que deixam as casas entre 4h30 e 5h da manhã, em direção ao ponto de ônibus da avenida Itavuvu, nas proximidades da loja da Havan, já teriam sido vítimas de assaltos ao passar pela via lateral. “Tem gente que sai cedo para trabalhar e já foi roubada nesse trajeto. Eles aproveitam a movimentação da madrugada”, relatou um morador.

Outro ponto recorrente nos relatos é o barulho de disparos de arma de fogo ouvidos durante a madrugada. “Tiros, som até amanhecer e ninguém dorme. Isso acontece com frequência”, afirmou.

Segundo os denunciantes, diversos boletins de ocorrência já foram registrados ao longo dos últimos anos, além de denúncias encaminhadas à prefeitura e pedidos de fiscalização. Eles afirmam, no entanto, que a situação permanece. “Já fizemos abaixo-assinado, temos mais de dez boletins de ocorrência e nada muda”, disse um morador.

Os relatos também mencionam que a Polícia Militar é acionada com frequência por meio do 190. No entanto, os moradores afirmam que, em diversas ocasiões, as viaturas não teriam comparecido ao local após as chamadas. “A gente liga, explica o que está acontecendo, mas muitas vezes ninguém vem”, relatou.

Outro ponto citado pelos moradores é a presença de um estabelecimento que funcionaria como lava-rápido durante o dia e que, segundo eles, passaria a operar como adega ou ponto de encontro durante a noite, o que atrairia a aglomeração de pessoas e veículos para a rua.

Para os denunciantes, a situação deixou de ser apenas uma questão de barulho e passou a afetar diretamente a sensação de segurança e a rotina das famílias que vivem no local. “A gente não quer confusão. Só quer voltar a ter a paz que sempre teve aqui”, afirmou um dos moradores.

O que diz a prefeitura?

Em nota, a Prefeitura de Sorocaba informou que a Fiscalização da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (Seplan), com apoio da Guarda Civil Municipal (GCM), realiza operações semanais contra perturbação do sossego e irregularidades em estabelecimentos.

Sobre o endereço apontado pelos moradores, o município informou que esteve no local em dezembro de 2025 e não constatou irregularidades, destacando que o estabelecimento possuía alvará de funcionamento especial. Ainda assim, uma nova vistoria será realizada.

A prefeitura informou também que, em 2025, a GCM registrou cinco ocorrências de perturbação do sossego na região e que, em 2026, até o momento, não há registros de queixas. Segundo o município, em casos de “pancadões”, a atuação cabe à Polícia Militar, com apoio da GCM quando solicitado. A administração orienta que denúncias sejam feitas pelos canais oficiais e que moradores registrem boletim de ocorrência na Polícia Civil.

O que diz a Polícia Militar?

A reportagem também questionou a Polícia Militar sobre as denúncias, os registros de ocorrências no endereço e as medidas que podem ser adotadas e aguarda retorno. O espaço segue aberto. (Murilo Aguiar)