Moradores relatam demora no atendimento de pedidos de podas de árvores em Sorocaba
Em 2025, Sema recebeu 842 pedidos de supressão de árvores, dos quais 735 resultaram em vistorias técnicas
A demora no atendimento de pedidos de poda e supressão de árvores tem gerado insatisfação entre moradores de Sorocaba, que relatam riscos à segurança, prejuízos materiais e dificuldades de acessibilidade. Em diferentes bairros da cidade, solicitações feitas pelos canais oficiais da prefeitura permanecem sem solução, mesmo após meses de espera.
No bairro Jardim Faculdade, a moradora Marlene Simi afirma que solicitou a poda de uma árvore no dia 5 de janeiro, após identificar risco de queda. O pedido foi registrado pelo WhatsApp do serviço 156 e pelo site institucional, resultando na abertura de dois protocolos. Um mês depois, o serviço não havia sido realizado, e o prazo informado não foi cumprido. Segundo o relato, parte do tronco da árvore permanece presa aos cabos de internet, oferecendo risco a pedestres e veículos, além de tocos deixados na calçada após uma remoção parcial. “A situação gera insegurança constante, porque esse tronco pode se soltar a qualquer momento, principalmente em dias de chuva ou vento, e os tocos na calçada aumentam o risco de acidentes”, afirma.
No Jardim Simus, o morador Edson Tavares Muraro relata enfrentar situação semelhante há anos com uma árvore localizada em frente à sua residência. Segundo ele, as solicitações mais recentes de poda, protocoladas em outubro de 2024, seguem sem solução definitiva.
“Já solicitei a retirada ou a poda da árvore inúmeras vezes. Em um momento, fui informado de que a árvore seria retirada, o que não aconteceu. Em outro, fui autuado por poda sem autorização, mesmo sem resposta formal aos pedidos”, relata.
De acordo com Edson, a árvore cresceu de forma desordenada, atingindo a fiação elétrica e de internet da rua, o que provoca quedas frequentes de energia e prejuízos materiais. Ele também aponta problemas de acessibilidade causados pelas raízes, que danificaram a calçada. “Na época, eu tinha uma filha com deficiência que utilizava cadeira de rodas e era obrigada a circular pela rua, porque a calçada ficou intransitável”, afirma. Outro ponto citado é a presença de frutos que atraem morcegos, gerando sujeira constante em imóveis vizinhos e preocupação com a saúde de animais domésticos.
Números de pedidos
Enquanto moradores relatam dificuldades na efetivação dos serviços, a prefeitura informa que a poda e a supressão de árvores em áreas urbanas estão entre as demandas mais frequentes da população. Segundo a Secretaria do Meio Ambiente, Proteção e Bem-Estar Animal (Sema), o município realiza, ao longo de todo o ano, avaliações técnicas das árvores, com vistorias presenciais para identificar riscos e indicar o manejo adequado, como poda técnica ou corte, quando necessário.
Em 2025, a Sema recebeu 842 pedidos de supressão de árvores, dos quais 735 resultaram em vistorias técnicas. Em 2024, foram 1.359 solicitações e 1.392 vistorias realizadas. Já em áreas particulares, o órgão autorizou 240 podas em 2025 e 453 em 2024.
No caso das árvores localizadas em áreas públicas, a prefeitura esclarece que a execução do serviço é de responsabilidade da Secretaria de Serviços Públicos e Obras (Serpo). De acordo com a pasta, todos os pedidos de poda protocolados em 2025 foram analisados, sendo 4.130 atendidos e 1.370 considerados sem necessidade de intervenção. Ainda segundo a Serpo, não há período do ano em que a poda seja proibida ou restrita no município.
Como funciona o processo
Para solicitar poda ou supressão de árvores em áreas públicas ou particulares, o morador deve reunir a documentação exigida, disponível no site da prefeitura, e protocolar o pedido em uma unidade da Casa do Cidadão. Após isso, a solicitação é analisada por técnicos da Sema, com vistoria no local.
As avaliações seguem critérios técnicos previstos na norma ABNT NBR 16246-3:2019 e nas diretrizes da Sociedade Internacional de Arboricultura (ISA), levando em conta fatores como a saúde da árvore, risco de queda, interferência em imóveis e equipamentos urbanos e inexistência de alternativas técnicas. As regras para autorização de corte estão previstas na Lei Municipal nº 8.903/2009.
Em casos de risco iminente de queda, a orientação é acionar diretamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. Quando há interferência direta na rede elétrica, o serviço de poda cabe à CPFL, por questões de segurança.
Moradores que já possuem processo em andamento podem acompanhar a situação pelo portal de serviços da prefeitura ou entrar em contato diretamente com a Sema, que atende presencialmente de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, na Vila Hortência, além de telefone e e-mail institucionais. (Lavínia Carvalho - programa de estágio)
Espera de 15 anos para realização do corte
Os problemas causados pelas árvores também resultam em prejuízos materiais. Em alguns casos, passam-se anos até as autoridades executarem alguma ação. “Em 2024, durante uma ventania, galhos caíram e danificaram o carro do meu filho e o portão da casa, que chegou a ficar sem abrir”, relata João Afonso Grando, morador do Trujillo. Segundo ele, apesar de a situação já ter sido avaliada pelo setor de Meio Ambiente, os danos precisaram ser resolvidos por conta própria. “Tivemos que arcar com todos os gastos para consertar o carro amassado e o portão danificado, sem qualquer apoio ou ressarcimento”, afirma.
Outro morador, Ademil Padilha, do Jardim Prestes de Barros, também relata dificuldades para conseguir a autorização para o corte de uma árvore que, segundo ele, passou a apresentar problemas a partir de 2009. “A árvore começou a dar problemas, caíam muitas folhas, os galhos secavam e, com o vento, isso causava transtornos para a vizinhança”, afirma. “Antes de causar danos, eu mesmo subia e cortava os galhos secos”, relata.
Segundo Padilha, em 2010, ele procurou pessoalmente a Secretaria do Meio Ambiente para solicitar o corte da árvore, mas foi orientado a aguardar a autorização. “Esperei por anos e, quando voltei a reclamar, me disseram que já estava agendado, mas nada acontecia”, diz. Com o tempo, a árvore teria apodrecido ainda mais, até que, em fevereiro de 2025, um galho de grande porte se desprendeu e quase atingiu uma família que passava pela calçada. “Foi por Deus que não aconteceu uma tragédia”, afirma. Em outubro de 2025, a árvore foi cortada, 15 anos após a primeira solicitação.
O que diz a prefeitura
A Secretaria de Serviços Públicos e Obras (Serpo) informa que todas as solicitações de poda de árvore são avaliadas para deferimento ou indeferimento. Em média, diz a prefeitura, o prazo é de 60 dias e o solicitante pode acompanhar pelo número do protocolo no site da prefeitura. Caso haja interferência dos galhos da árvore na fiação elétrica, o trabalho compete à Companhia Piratininga de Força e Luz (CPFL Piratininga), por questões operacionais e de segurança, e o munícipe pode entrar em contato diretamente com a concessionária, que defini critérios e prioridades. Com relação ao destocamento, a responsabilidade de remover o toco da árvore e conservar a calçada é do proprietário do imóvel. (L.C.)