Com 244 cadastros ativos, CAF concentra acesso a políticas públicas rurais em Iperó

Por Caroline Mendes

Produtores apontam avanços e limitações no acesso a programas e infraestrutura

O Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) é atualmente o principal instrumento para que produtores rurais de Iperó, na Região Metropolitana de Sorocaba, tenham acesso a políticas públicas voltadas ao setor. Dados da prefeitura indicam que o município possui 251 agricultores cadastrados, dos quais 244 mantêm o CAF ativo, o maior número já registrado na cidade.

Para Arthur dos Santos, representante do Senar Sorocaba, a regularização é determinante para a permanência do pequeno produtor no campo. “Sem o CAF, o produtor praticamente não consegue acessar nada: Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar], PNAE [Programa Nacional de Alimentação Escolar], PAA [Programa de Aquisição de Alimentos] e assistência técnica. Ele fica invisível para o sistema”, comenta. Ainda segundo ele, o cadastro permite acesso a crédito com taxas menores, programas de compra governamental e maior segurança para investimentos na propriedade.

Desde janeiro deste ano, a emissão e a atualização do CAF passaram a ser realizadas pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural de Iperó. A prefeitura alega que, no momento, a estrutura disponível atende à demanda, mas estuda a ampliação da equipe técnica com a contratação de um técnico agrícola para reforçar a assistência técnica.

Além do cadastro, o município mantém o programa IperCampo, voltado ao apoio à agricultura familiar por meio da disponibilização de máquinas e equipamentos. A reformulação em andamento prevê a divisão do atendimento em três núcleos regionais — George Oetterer, Bacaetava e Bela Vista — com concentração de operadores, equipamentos e equipe técnica, além do recadastramento das famílias atendidas. Entre os serviços previstos está a utilização de retroescavadeira para resolver impedimentos pontuais no uso do solo.

De acordo com a administração municipal, todos os agricultores cadastrados podem solicitar atendimento, com prioridade para produtores familiares e aqueles que não possuem maquinário próprio. Cada agricultor ou organização pode solicitar até 20 horas de serviço, mediante agendamento junto à secretaria.

Para os produtores o acesso a equipamentos e a infraestrutura rural seguem como entraves. O agricultor Daniel Marçal afirma que o custo elevado do maquinário limita a autonomia do pequeno produtor. “Hoje, o principal problema é o custo dos equipamentos. Para o produtor pequeno, é muito caro comprar máquina, e a gente depende bastante do auxílio da prefeitura para preparar o solo”, lamenta.

Marçal também aponta dificuldades relacionadas às estradas rurais. “Em alguns pontos, o produtor não consegue nem sair da propriedade por causa das estradas, principalmente depois das chuvas. Falta conseguir atender tudo a tempo”, relata.

A comercialização da produção local para programas públicos também aparece como desafio. Em 2025, o município informou ter investido R$ 386,6 mil na compra de alimentos da agricultura familiar para a merenda escolar. Segundo Daniel Marçal, o volume ainda é limitado. “A merenda escolar é importante, mas a quantidade que a gente consegue entregar ainda é baixa. Hoje, a gente entrega mais para o PA do que para a merenda, por causa do tipo de alimento exigido”, afirma.

Para o Senar, programas municipais podem apresentar resultados quando articulam regularização, assistência técnica contínua e acesso a mercado. “Essas iniciativas funcionam quando ajudam o produtor a se regularizar, oferecem assistência técnica permanente e garantem acesso ao mercado. Quando são pontuais, o impacto é menor”, explica Arthur dos Santos, representante do Senar Sorocaba.

A Prefeitura de Iperó diz que segue trabalhando para ampliar o alcance das políticas públicas voltadas à agricultura familiar no município.