Operação identifica 33 trabalhadores em situação análoga à escravidão em obra às margens da Raposo Tavares, em Sorocaba

Três pessoas são conduzidas à Polícia Federal; grupo veio da Bahia e era alojado em condições consideradas degradantes

Por Da Redação

Os trabalhadores permaneciam alojados dentro da própria obra

Três pessoas ligadas a uma obra localizada na avenida Juvenal de Campos, em Sorocaba, próxima ao Shopping Panorâmico, às margens da Rodovia Raposo Tavares (SP-270), foram conduzidas coercitivamente (medida que obriga uma pessoa a comparecer em juízo, mesmo contra sua vontade, sob escolta policial) à Polícia Federal durante operação realizada na manhã de ontem (26). No local, 33 trabalhadores foram identificados como possíveis vítimas de tráfico de pessoas, trabalho análogo à escravidão, fraudes trabalhistas e ausência de registro em carteira.

A ação contou com a atuação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e, segundo o chefe regional da Fiscalização do MTE, Ubiratan Vieira, os trabalhadores vieram da Bahia, incluindo Salvador, Alagoinhas e pequenos municípios -- regiões onde, de acordo com Ubiratan Vieira, atuam quadrilhas especializadas em tráfico de pessoas para exploração laboral. Conforme apurado, o grupo estava em Sorocaba desde 5 de janeiro.

De acordo com o MTE, o recrutamento foi feito por um intermediador conhecido popularmente como “gato”, responsável por trazer os trabalhadores até Sorocaba. Ele está entre os conduzidos, ao lado de outras duas mulheres.

Os trabalhadores permaneciam alojados dentro da própria obra. Conforme avaliação técnica do chefe regional, as condições encontradas eram degradantes como um todo. Ubiratan Vieira relatou que o intermediador defendia que o grupo continuasse no alojamento, enquanto a construtora, responsável pela obra, decidiu retirar os trabalhadores do local e providenciar hospedagem em hotel no prazo de até 48 horas.

Como encaminhamento emergencial, os 33 trabalhadores serão transportados de ônibus e acolhidos provisoriamente. O MTE informou que todos terão seus direitos assegurados e destacou que não será permitida qualquer cobrança relacionada às passagens ou ao deslocamento do grupo até Sorocaba, prática comum em esquemas de aliciamento que acaba aprofundando a vulnerabilidade das vítimas.

As três pessoas conduzidas foram encaminhadas à Polícia Federal para prestar esclarecimentos. O caso segue sob apuração, com possível caracterização dos crimes de tráfico de pessoas, redução à condição análoga à de escravo e outras irregularidades trabalhistas.

De acordo com o chefe regional, em muitos casos a empresa principal não tem conhecimento do esquema, que costuma ocorrer por meio de intermediários responsáveis pelo aliciamento e pela logística da mão de obra. Os trabalhadores deverão receber acompanhamento durante o andamento das investigações, enquanto são avaliadas as responsabilidades dos envolvidos.

O Cruzeiro do Sul entrou em contato com a construtora responsável pela obra por meio de e-mails e telefonemas e aguarda resposta. O espaço segue aberto. (Da Redação)