Evento na Capela João de Camargo marca comemoração do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa
Os irmãos Laelso e Laor Rodrigues foram homenageados durante a cerimônia
Uma cerimônia contra a intolerância religiosa foi realizada na Capela João de Camargo na noite desta quinta-feira (22). Durante o evento, aconteceram apresentações musicais e pronunciamentos de líderes de diversas religiões. Mais de cem pessoas participaram do evento.
O início da programação ocorreu na área externa da capela, com apresentação do grupo de maracatu Terra Rasgada. Em seguida, os participantes foram convidados a entrar para acompanhar os discursos e demais homenagens.
O presidente da Associação Espírita Beneficente Capela Senhor do Bonfim, Adriano Ramos Molina, responsável pela gestão do local, relembrou a história da capela durante seu pronunciamento. Em entrevista, afirmou que o evento não era realizado havia sete anos e destacou a importância do reencontro entre diferentes lideranças religiosas. Segundo ele, a grande presença de público reforça o papel da capela como espaço de memória, diálogo e resistência cultural.
Antes do início dos discursos, a organizadora do evento e voluntária da capela, Denise Camargo agradeceu a presença dos participantes e pediu um minuto de silêncio em homenagem a diversas personalidades, entre elas os irmãos Laelso e Laor Rodrigues e o professor Ademir Barros, falecidos em 2025.
O padre Arari dos Santos Amorim, conhecido como padre Kojak, da paróquia Nossa Senhora do Povo, falou sobre a importância da união entre os povos e citou um trecho do Sermão da Montanha, atribuído a Jesus: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”.
Para o pastor Leandro Rodrigues, da Igreja Habitar, a realização do ato representa um posicionamento necessário diante de um problema que extrapola o campo da fé. Ele destacou a responsabilidade das lideranças cristãs nesse enfrentamento e afirmou que a presença de representantes evangélicos no evento busca reafirmar os ensinamentos de Jesus. “Estar aqui é mostrar que podemos caminhar juntos e nos unir naquilo que temos em comum, como o amor, a comunhão e a caridade”, disse. Para ele, combater a discriminação é seguir o exemplo de Jesus, que pregava o amor incondicional e a paz.
Durante os pronunciamentos, o clima era de emoção entre os presentes. Algumas pessoas choravam, outras comentavam entre si e compartilhavam histórias ligadas à capela, ressaltando a importância simbólica do espaço e da presença de representantes de diferentes religiões reunidos no mesmo ato. Representantes de mais de dez religiões compareceram no evento.
O babalorixá Nivaldo de Logunede, em entrevista, reforçou a mensagem deixada pelos líderes religiosos. “Todos reunidos com uma única mensagem: intolerância não cabe. O que cabe é respeito entre as pessoas, entre os religiosos, respeito humano, porque a vida no mundo precisa melhorar”, afirmou.
Já o sheikh Rodrigo Jalloul, da mesquita do bairro da Penha, classificou o encontro como um ato de resistência em um país marcado pela diversidade cultural e religiosa, mas ainda atravessado por preconceitos históricos. Segundo ele, a intolerância religiosa está enraizada na sociedade e atinge diretamente o cotidiano das pessoas, inclusive em ambientes acadêmicos e profissionais, com impacto ainda mais severo sobre as religiões de matriz africana.
O sheikh destacou que o desafio vai além dos discursos públicos. “Não basta falar bonito, é preciso conviver, respeitar as diferenças e agir a partir daquilo que nos une enquanto humanos”, afirmou.
Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa
O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi instituído pela Lei nº 11.635/2007, em homenagem a Mãe Gilda, que faleceu em 21 de janeiro de 1999, vítima de infarto.