Aprender brincando com a natureza

Elementos naturais ganham espaço na educação infantil e estimulam a criatividade, a autonomia e o desenvolvimento das crianças

Por Cruzeiro do Sul

Brincadeiras ao ar livre transformam os espaços externos em ambientes de aprendizagem

Materiais como pedaços de madeira, folhas, pedras, sementes, areia e água vêm sendo incorporados aos espaços de educação infantil como recursos pedagógicos. Conhecidos como elementos não estruturados, esses materiais naturais têm sido utilizados em propostas educativas que valorizam a exploração livre e o desenvolvimento integral das crianças.

Diferentemente dos brinquedos industrializados, que apresentam funções definidas, os elementos não estruturados permitem múltiplas formas de uso. Durante as brincadeiras, um mesmo objeto pode assumir diferentes significados, favorecendo a imaginação, a criatividade e a autonomia infantil. A proposta incentiva a experimentação e a construção do conhecimento de maneira espontânea.

Especialistas apontam que o contato com materiais naturais contribui para o desenvolvimento motor, cognitivo, social e emocional. As diferentes texturas, tamanhos, pesos e formas ampliam as experiências sensoriais e estimulam a resolução de problemas. Além disso, a aproximação com a natureza auxilia na formação de valores relacionados ao cuidado, ao respeito e à consciência ambiental desde a infância.

No Colégio Politécnico, mantido pela Fundação Ubaldino do Amaral, os espaços externos são utilizados como ambientes de aprendizagem. Áreas com terra, areia e outros elementos naturais passam a integrar o cotidiano escolar, funcionando co­mo extensões da sala de aula. O educador atua como mediador das experiências, respeitando o tempo e os interesses das crianças.

Segundo a diretora do Poli, Luciane Durigan, as propostas com elementos não estruturados estão alinhadas ao material didático utilizado na Educação Infantil. Entre as atividades desenvolvidas estão a classificação e a contagem de pedras e sementes, a criação de cenários e narrativas com materiais naturais, a exploração sensorial de areia, água e terra, além de construções livres que estimulam a coordenação motora e o trabalho em grupo.

Durigan destaca que crianças que participam dessas atividades demonstram maior envolvimento e curiosidade. Em um contexto marcado pelo uso excessivo de telas, a utilização de elementos não estruturados surge como uma alternativa pedagógica que valoriza o brincar, a exploração e a relação com o ambiente natural. (Da Redação)