Cidades da RMS mantêm Tarifa Zero
Sete municípios da região oferecem transporte coletivo gratuito e reacendem debate sobre viabilidade do modelo
A partir de 30 de janeiro, Sorocaba reajustará o valor da tarifa do transporte coletivo. Em sentido oposto, sete cidades da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) mantêm o sistema de Tarifa Zero, com ônibus municipais totalmente gratuitos: Araçariguama, Alumínio, Cerquilho, Itapetininga, Piedade, Porto Feliz e Tietê.
A experiência desses municípios reacende o debate sobre a viabilidade do transporte público gratuito em cidades de médio e grande porte. Entre os exemplos da região, Cerquilho foi uma das pioneiras ao implantar o modelo em 2020, enquanto Itapetininga, a maior cidade do grupo, com cerca de 164 mil habitantes, adotou o sistema no fim de 2023.
Desde 2020, Cerquilho adota o modelo de subsídio integral ao transporte público, conhecido como Tarifa Zero. Nesse formato, o município cobre 100% dos custos operacionais, sem cobrança de passagens dos usuários. Segundo Alessandro Barbosa, fiscal do contrato do Tarifa Zero em Cerquilho, o sistema é financiado diretamente pelo orçamento municipal. “O município financia o sistema cobrindo 100% dos custos operacionais, sem a cobrança de passagens dos usuários”, explica.
No último ano fiscal, o custo total do sistema foi de R$ 1,22 milhão, custeado por dotação orçamentária do Departamento de Viação e Serviços. Ainda de acordo com a administração municipal, não houve necessidade de compensações em outras áreas para manter o transporte gratuito.
A média é de 960 passageiros por dia útil, com redução de aproximadamente 70% nos fins de semana. “No mês, atendemos cerca de 30 mil usuários”, afirma Alessandro Barbosa. A qualidade do serviço é acompanhada pela prefeitura e, em 2024, passou por pesquisa de satisfação realizada por empresa terceirizada. “O resultado foi satisfatório e, neste ano, será realizada uma nova pesquisa”, completa.
Em Tietê, o Programa Tarifa Zero foi implantado em 2021 e é tratado pela administração municipal como uma política pública estruturante. Segundo a prefeitura, o transporte gratuito “é um serviço social que democratiza o acesso ao trabalho, ao estudo, à saúde e aos serviços públicos”.
No exercício de 2025, o município investiu aproximadamente R$ 4,7 milhões na manutenção do sistema. O custeio é feito com recursos próprios, dentro do planejamento orçamentário, com reforço da captação de verbas estaduais e federais. “O transporte gratuito é entendido como política pública de inclusão social, fortalecimento econômico e estímulo à circulação de pessoas, beneficiando diretamente o comércio, as escolas e os serviços públicos”, informa a prefeitura, em nota.
Atualmente, o sistema registra cerca de 107 mil embarques mensais. Em período letivo, mais de três mil passageiros utilizam o serviço diariamente, com uma frota de dez ônibus que atende todos os bairros da cidade. O crescimento da demanda, segundo a administração, motivou o início de estudos para ampliação de horários, melhoria da logística e modernização do sistema.
Em Itapetininga
A Prefeitura de Itapetininga implantou o sistema de Tarifa Zero em 30 de dezembro de 2023. Dois anos após o início da operação, o modelo atende mais de 12 mil usuários por dia útil, beneficiando trabalhadores, estudantes e outros cidadãos. De acordo com a administração municipal, o sistema é financiado com recursos próprios, sem cortes ou compensações em outras áreas. “A medida amplia o acesso da população ao transporte público, fortalece a mobilidade urbana e fomenta a economia local”, alega a prefeitura.
Ainda segundo o município, a gratuidade gera economia direta para trabalhadores e empregadores. “Há impacto positivo na desoneração da folha de pagamento das empresas, além de estímulo à geração de empregos e à sustentabilidade”, destaca em nota.
A frota é composta por veículos novos, equipados com câmeras de segurança internas e externas, carregadores USB, plataformas de acessibilidade para pessoas com deficiência, além de motoristas treinados. As linhas e os horários passam por revisões periódicas, conforme o aumento da demanda. (Caroline Mendes)