Doação de plaquetas e medula óssea ajuda a salvar vidas e enfrenta déficit de voluntários
Especialista em hematologia explica diferenças entre os tipos de doação, esclarece mitos e destaca a importância do cadastro no Hemocentro de Sorocaba
A doação de plaquetas e de medula óssea é parte do tratamento de pacientes com doenças graves, como leucemias, linfomas, cânceres hematológicos e quadros clínicos críticos, mas ainda enfrenta déficit de voluntários no Brasil. O alerta é da médica hematologista e onco-hematologista Suzana de França Ribeiro Gonzaga, especialista em transplante de medula óssea e integrante do Centro de Transplantes da Unimed Sorocaba.
Segundo a médica, embora os dois tipos de doação sejam frequentemente citados em conjunto, eles têm indicações e finalidades distintas. “A doação de plaquetas é indicada, principalmente, para pacientes com plaquetopenia, geralmente decorrente de quimioterapia, radioterapia, transplantes de medula ou infecções graves em pacientes internados em UTI, que apresentam maior risco de sangramento”, explica.
As plaquetas são componentes do sangue responsáveis pela coagulação, e a redução desses elementos pode levar a complicações clínicas. “Em muitos casos, a transfusão é preventiva, para evitar sangramentos. Quando o estoque do banco de sangue está baixo, é necessário priorizar pacientes em maior risco”, afirma.
Queda nas doações preocupa
De acordo com a especialista, o Brasil registra períodos de queda nas doações ao longo do ano, especialmente em feriados prolongados e em momentos de aumento da demanda, como durante surtos de dengue. “Nessas situações, o consumo de plaquetas cresce de forma significativa, enquanto o número de doadores diminui, o que gera preocupação nos serviços de saúde”, ressalta.
Outro fator apontado é a falta de informação. “Muitas pessoas acreditam que doar sangue e doar plaquetas é a mesma coisa, mas são procedimentos diferentes. Essa desinformação contribui para o déficit de doadores”, explica.
Como funciona a doação de plaquetas
A doação de plaquetas é realizada por meio de um procedimento chamado aférese. Após a triagem, o sangue do doador é coletado, as plaquetas são separadas por uma máquina, e os demais componentes retornam ao organismo.
“O procedimento dura entre uma hora e meia e duas horas. O doador não fica com déficit e pode doar até uma vez por semana, já que o organismo repõe as plaquetas rapidamente”, afirma a médica. Uma única doação pode beneficiar de um a três pacientes, dependendo do peso do doador e dos receptores.
Doação de medula óssea é segura
A doação de medula óssea é indicada para pacientes com doenças hematológicas graves que necessitam de transplante. Segundo a especialista, ainda existem muitos mitos em torno do procedimento.
“Muitas pessoas acreditam que a doação sempre envolve cirurgia, internação e anestesia, mas atualmente, em cerca de 90% dos casos, a coleta é feita pelo sangue periférico”, esclarece. Nesse método, o doador recebe injeções para estimular a liberação das células-tronco da medula para a corrente sanguínea e passa por um processo semelhante ao da doação de plaquetas.
“É um procedimento seguro, sem necessidade de internação, e o doador retorna para casa no mesmo dia”, destaca. Apenas em situações específicas a coleta ocorre diretamente do osso, em ambiente cirúrgico e com anestesia.
Cadastro e doação em Sorocaba
Em Sorocaba, a doação de plaquetas e o cadastro para doação de medula óssea podem ser realizados no Hemocentro de Sorocaba. Para se tornar doador de medula, é necessário preencher um cadastro e coletar uma amostra de sangue, que passa a integrar os bancos nacional e internacional de doadores.
“A compatibilidade é rara, por isso é importante manter o cadastro atualizado. A chance de ser chamado existe, mas não é alta. Ainda assim, quando acontece, pode representar a única possibilidade de tratamento para alguém”, afirma.
Conscientização
Para a médica, ampliar a informação junto à população é o principal caminho para aumentar o número de doadores. “As pessoas precisam entender que doar é seguro, simples e pode salvar vidas. Fazer o cadastro e manter os dados atualizados é um gesto que pode mudar o destino de outra pessoa”, conclui. (Caroline Mendes)