Engenharia da Polícia Científica faz 3 mil perícias por ano
O Núcleo de Engenharia da Polícia Técnico-Científica realiza cerca de 3 mil análises por ano em 54 categorias diferentes, contribuindo para o esclarecimento de ocorrências que vão de incêndios e explosões a grandes desabamentos no Estado de São Paulo. O setor é composto por 14 peritos criminais — 13 engenheiros e uma bióloga — e elabora laudos relacionados a acidentes de trabalho, desastres aéreos, incêndios e perturbação de sossego. Quando necessário, os peritos também prestam apoio aos 11 núcleos do Instituto de Criminalística no Estado.
A rotina envolve deslocamentos extensos — em alguns casos, superiores a 300 quilômetros em uma única noite — e atualização constante diante de novas tecnologias, como sistemas de energia solar e veículos elétricos. Segundo o diretor do Núcleo de Engenharia, o engenheiro eletricista Maurício Lazzarin, a equipe participa de estudos em conjunto com o Corpo de Bombeiros sobre normas de segurança para incêndios envolvendo esse tipo de veículo.
O grupo também conta com o suporte técnico da bióloga Talita de Cássia Glingani Sebrian em perícias relacionadas ao meio ambiente. Ela realiza análises prévias com base em dados georreferenciados para identificar áreas sensíveis, como Áreas de Preservação Permanente, e verificar possíveis irregularidades.
O tempo de produção de um laudo varia conforme a complexidade da ocorrência. Casos de grande porte — como a explosão de fogos de artifício em uma residência no Tatuapé, registrada em novembro — seguem em análise.
Em situações como incêndios ou quedas de aeronaves, muitos vestígios são destruídos no próprio evento. Nesses casos, o trabalho dos peritos envolve a reconstrução do cenário com base em dados técnicos e pesquisas científicas, com o objetivo de apontar causas e eventuais responsabilidades. Segundo Lazzarin, todos os laudos são fundamentados em evidências técnicas e científicas.
Embora a engenharia seja associada principalmente a projetos, cálculos e construções, os peritos destacam que a formação técnica está diretamente ligada às exigências da perícia criminal. Observação detalhada, análise de falhas e compreensão de processos estão entre as competências compartilhadas pelas duas áreas. (Da Redação)