Banco de Olhos de Sorocaba lidera doações de córnea no País
Instituição realizou quase 3 mil transplantes no ano passado, a maioria pelo SUS
O Banco de Olhos de Sorocaba (BOS) encerrou 2025 na liderança nacional em captação de córneas. Ao longo do ano, a instituição recebeu mais de 14 mil doações — o maior volume registrado no País — e realizou 2.911 transplantes, número que contribuiu para a redução da fila por procedimentos oftalmológicos, especialmente no Estado de São Paulo.
Até julho de 2025, o Brasil contabilizava 31.240 pessoas aguardando por um transplante de córnea, segundo dados do Ministério da Saúde. Desse total, 21% estavam no Estado de São Paulo, com 6.617 pacientes. Apesar da demanda elevada, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) avalia positivamente o desempenho do País nesse tipo de procedimento, destacando São Paulo pelo tempo de resposta ao paciente, abaixo da média nacional.
A concentração de serviços especializados no Estado, no entanto, também evidencia desigualdades regionais no acesso ao transplante. Em diversas regiões do País, pacientes ainda enfrentam longos períodos de espera, o que torna a captação e a capacidade cirúrgica fatores centrais para o atendimento da demanda reprimida.
Atualmente, o BOS realiza cerca de 3 mil cirurgias por mês, a maioria pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O volume representa aproximadamente o dobro do observado nos primeiros balanços após o período mais crítico da pandemia de Covid-19, quando cirurgias eletivas foram suspensas e a fila por transplantes aumentou significativamente.
Para 2026, a instituição prevê ampliar a capacidade de atendimento com a construção de nove novas salas cirúrgicas, sendo uma destinada a procedimentos a laser. Oito dessas unidades devem ser entregues ainda no primeiro semestre. O investimento ultrapassa R$ 20 milhões e tem como objetivo ampliar a oferta de cirurgias, sobretudo para pacientes do SUS.
Segundo o superintendente do Grupo BOS, Edil Vidal de Souza, a ampliação estrutural foi planejada para enfrentar o represamento de pacientes ocorrido entre 2020 e 2023, período em que a fila por transplantes chegou a triplicar em alguns serviços. “O desafio é ampliar a estrutura física para aumentar a capacidade de atendimento, especialmente pelo SUS, que concentra a maior parte da demanda”, afirmou.
Além dos transplantes de córnea, a instituição atua nas áreas de retina e catarata. O atendimento em retina inclui resposta emergencial, enquanto a cirurgia de catarata segue como o procedimento mais realizado na oftalmologia, refletindo o envelhecimento da população e a ampliação do acesso ao diagnóstico.
O BOS também atua na formação de especialistas. Atualmente, conta com cerca de 550 funcionários e mais de 350 médicos. Profissionais formados na instituição atuam em diferentes regiões do País, o que contribui para a disseminação de práticas e protocolos adotados na área oftalmológica.
Na área tecnológica, o hospital utiliza recursos como o femto laser — tecnologia usada para tornar cirurgias nos olhos mais precisas e seguras — em procedimentos refrativos, de catarata e transplantes de córnea. A instituição também possui certificação de acreditação em nível de excelência, voltada à segurança do paciente e à padronização dos processos assistenciais. (Da Redação)