Calor eleva consumo de sorvete e amplia movimento em sorveterias de Sorocaba
As ondas de calor registradas neste verão têm refletido diretamente no consumo de sorvetes, com aumento da procura tanto no varejo quanto na indústria. Em Sorocaba, estabelecimentos do setor relatam crescimento no movimento desde a primavera, enquanto fabricantes observam picos de vendas nos dias de temperatura mais elevada.
Na Sorveteria Artesanal, no bairro Santa Rosália, a gerente Sônia Museia afirma que o aumento da demanda é recorrente nesta época do ano. “No verão sempre cresce. Quando a temperatura sobe, o público aparece mais, principalmente a partir de outubro e novembro. Mas o sorvete é consumido ao longo de todo o ano”, afirma. Segundo ela, o sorvete de massa lidera as vendas, com sabores como caramelo e pistache entre os mais procurados.
Com a maior procura, o setor também acompanha variações nos custos de produção. “O insumo que teve aumento mais expressivo foi o chocolate. Os demais conseguimos administrar. Todo ano há algum reajuste, mas tentamos que seja o menor possível”, explica.
Na indústria, o comportamento do consumo segue o mesmo padrão. De acordo com Tiago Acafrão Alves, diretor de uma indústria de sorvetes em Sorocaba, os períodos de calor intenso refletem diretamente nas vendas. “Realizamos comparativos anuais e o aumento na procura fica evidente quando as temperaturas sobem”, afirma.
Mesmo com o crescimento da demanda, os preços ao consumidor permanecem estáveis. “Os reajustes seguem datas-base, geralmente em agosto e janeiro. No caso da Skimel, realizamos apenas um aumento anual e conseguimos manter os valores, mesmo com maior volume de vendas”, diz.
A preferência do consumidor também varia conforme o clima. Segundo Alves, nos dias mais quentes, os sorvetes de frutas e os picolés à base de água concentram maior saída. “São produtos escolhidos pela sensação de refrescância”, afirma.
O aumento repentino da demanda, no entanto, impõe desafios operacionais à indústria. “O calor favorece as vendas, mas exige ajustes rápidos. Não é simples lidar com variações de até 50% de um dia para o outro, especialmente porque essas ondas de calor são irregulares”, observa.
Entre os consumidores, a relação entre temperatura e consumo é direta. A assistente comercial Cíntia Arcolim diz que consome sorvete ao longo do ano, mas aumenta a frequência no verão. “Com esse calor, a gente acaba comprando mais, tanto para casa quanto na rua”, afirma. Já Talita, que atua na área de serviços gerais, relata preferência por picolés à base de água, por ser intolerante à lactose, e também intensifica o consumo nos dias mais quentes.
Dados da Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (Abrasorvete) confirmam o impacto do clima no consumo. Segundo a entidade, o brasileiro consome, em média, 9,1 litros de sorvete por ano. O sorvete de massa responde por 73,47% da preferência, seguido pelos picolés, com 13,20%. Para 66,53% dos consumidores, a temperatura influencia diretamente a decisão de compra.
O setor emprega cerca de 274 mil pessoas no país e projeta crescimento de 50% até 2033. De acordo com a Abrasorvete, a elevação das temperaturas, aliada à ampliação do portfólio de produtos e à modernização dos processos industriais, sustenta a expansão do mercado. (Caroline Mendes)