Após o Natal, cristãos encerram o ciclo das decorações

Por Thaís Verderamis

"Nós gostamos de enfeitar a casa para lembrar o verdadeiro motivo do Natal, que é Jesus", diz a evangélica Carolina Pedrozo F. Oliveira

Com o fim das celebrações do Natal e o início do Ano Novo, as decorações voltam para as caixas e as casas voltam as configurações originais. Para os católicos, chegou o dia de guardar as árvores, presépios, e pisca-piscas. O Dia de Reis, comemorado hoje (6) pelos católicos, marca o dia em que os Três Reis Magos visitam o Deus menino, Jesus, recém-nascido. Para os católicos, a desmontagem das decorações segue uma lógica litúrgica bem definida por essa data. O padre Rodolfo Gasparini Morbiolo explica que, assim como há um tempo certo para montar os símbolos natalinos, também existe o momento correto para retirá-los. “O presépio, por excelência, é o enfeite natalino que mais remete ao sentido do Natal cristão, e ele deve permanecer até a Festa da Epifania do Senhor”, explica. Segundo o sacerdote, a festa litúrgica ocorre no dia 6 de janeiro, quando a Igreja recorda a visita dos reis magos ao menino Jesus.

“O encontro dos reis magos com Jesus representa a universalidade da salvação. A luz que Cristo veio trazer no Natal não é apenas para um povo, mas para todos os povos da Terra”, afirma o padre. Por isso, guardar os presépios e demais símbolos após essa data faz parte do significado religioso do período.

A árvore de Natal, embora não tenha origem cristã, também passou a integrar esse ciclo. “A árvore acabou sendo incorporada pelo cristianismo. Pensando nos países europeus, onde nessa época as árvores estão secas por causa do frio, decorá-las foi uma forma de trazer vida e beleza ao inverno. Hoje, com o fim do Natal, essa simbologia também se encerra”, explica o padre Rodolfo.

Na prática, essa transição também acontece dentro das casas. Católica, a professora Mariana Arnaud de Andrade Bortolini, de 31 anos, vive intensamente o calendário litúrgico e ensina os filhos a compreenderem cada etapa. Durante o Natal, a casa é decorada com luzes, árvore, coroa e calendário do Advento. Após as festas, o cuidado continua.

“Geralmente retiramos as decorações após a festa da Epifania do Senhor, mas às vezes estendemos até a Festa da Apresentação do Senhor, seguindo o calendário litúrgico da Igreja”, explica. Para ela, guardar os enfeites também faz parte da educação religiosa das crianças. “É importante explicar por que aquele tempo terminou e que, no próximo ano, tudo será vivido novamente.”

Em Sorocaba, o encerramento também acontece nos espaços públicos. A Prefeitura decorou para o projeto “Natal Iluminado” o parque do paço Municipal, a praça Coronel Fernando Prestes, no Centro, e toda a extensão da avenida Dom Aguirre com a Juvenal de Campos. Agora, com o fim das celebrações, começa a retirada gradual das estruturas e iluminações.

Segundo a administração municipal, a decoração natalina instalada no Paço Municipal e adjacências foi retirada na sexta-feira (2). Já a iluminação das avenidas Dom Aguirre e Juvenal de Campos, assim como da praça Coronel Fernando Prestes, será retirada hoje, data que coincide com o Dia de Reis.

Cristianismo

Entre os evangélicos, não há uma data certa para montar ou retirar as decorações, assim como decorar a casa é opcional e vai do gosto pessoal de cada um. De acordo com o pastor Hildenilton Sáteles, a desmontagem fica a critério de cada família. “Não existe uma regra. Alguns desmontam assim que passa o Natal, outros deixam os enfeites até os primeiros dias do novo ano”, explica.

O pastor Claudemir Nunes destaca que, independentemente do momento da desmontagem, o simbolismo permanece. “Para nós, o mais importante é o nascimento de Jesus Cristo. As luzes, as cores e os enfeites ajudam a lembrar desse momento, mas o essencial é a fé”, afirma.

A educadora física Carolina Pedrozo Fernandes Oliveira, de 27 anos, evangélica, também passa por esse processo de forma afetiva. “Nós gostamos de enfeitar a casa para lembrar o verdadeiro motivo do Natal, que é Jesus”, conta. Neste ano, a desmontagem será gradual. “Vamos guardar a árvore no fim do ano, mas as luzes vão ficar mais um pouco, porque deixam o ambiente acolhedor para receber a família e os amigos.”

Com datas definidas pelo calendário religioso, escolhas pessoais e o cronograma da Prefeitura, o período pós-Natal marca o recolhimento dos símbolos que, por semanas, ocuparam casas e ruas de Sorocaba. A retirada das decorações não representa o fim do significado da data, mas o encerramento de um ciclo que se renova a cada ano.