Cidades da RMS registram aumento de mortes em acidentes de trabalho
Entre 1º de janeiro e 18 de dezembro, foram 49 óbitos, o que dá uma média de quatro acidentes por mês
O número de mortes em acidentes de trabalho voltou a crescer em 2025 na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), segundo levantamento da Fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Entre 1º de janeiro e ontem (18), os acidentes de trabalho resultaram em 49 mortes, o que representa uma média de quatro óbitos por mês ou quase uma morte por semana no período analisado. O número é superior ao contabilizado no mesmo período de 2024, quando 37 óbitos foram confirmados. Os dados são de Sorocaba, Tatuí, Itu, São Miguel Arcanjo e Itapetininga.
De acordo com o chefe regional da Fiscalização do MTE, Ubiratan Vieira, todas as cidades citadas tiveram ao menos um caso de acidente fatal. Entre os casos deste ano, 21 tiveram como causa quedas, enquanto no ano passado esse tipo de ocorrência respondeu por oito mortes. Além dos óbitos, os dados apontam um volume elevado de acidentes de trabalho ao longo de 2025. Segundo Vieira, aproximadamente 7 mil acidentes foram registrados na região. Desse total, 3.437 ocorrências não apresentaram gravidade, enquanto o restante foi classificado como grave, com afastamento do trabalhador por período superior a 15 dias.
O crescimento do número de obras em Sorocaba é apontado pela fiscalização como um fator diretamente relacionado ao aumento das ocorrências, especialmente no setor da construção civil. Segundo Vieira, a ampliação das frentes de trabalho não foi acompanhada, em muitos casos, pela contratação de profissionais qualificados e pela adoção adequada das normas de segurança previstas na legislação trabalhista.
Durante as ações de fiscalização, os auditores têm identificado a falta de mão de obra especializada, ausência de treinamentos obrigatórios e falhas nos serviços de segurança do trabalho. Também foram constatadas situações em que obras funcionavam sem a presença de engenheiros responsáveis técnicos, o que contraria as exigências legais para esse tipo de atividade.
Diante desse cenário, o Ministério do Trabalho e Emprego tem intensificado a atuação conjunta com outros órgãos e entidades. As ações são realizadas em parceria com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). O objetivo é ampliar a fiscalização, orientar empregadores e fortalecer a prevenção de acidentes.
O Crea, por sua vez, tem realizado verificações específicas em obras para identificar se há engenheiros do trabalho devidamente registrados e se esses profissionais estão exercendo corretamente suas funções técnicas e legais.
Outro ponto destacado por Ubiratan Vieira é o reforço no quadro de auditores-fiscais do trabalho. Atualmente, a regional conta com 12 auditores em Sorocaba e cinco em Itapeva. A expectativa é que esse número seja ampliado, o que deve permitir o aumento das fiscalizações, especialmente aquelas voltadas à prevenção de acidentes de trabalho. A projeção do MTE é de que, com a ampliação da equipe, haja impacto na redução do número de ocorrências.
A população e os próprios trabalhadores podem contribuir com as ações de fiscalização por meio de denúncias. As comunicações podem ser feitas pelo telefone 158, pelo Sistema Ypê, disponível no portal Gov.br, pelos telefones (15) 3218-2544, 3218-2545, 3218-2546 e 3218-2547, ou de forma presencial na sede da Fiscalização do Trabalho, localizada na rua Ribeirão Preto, 182, no Jardim Leocádia, em Sorocaba.
Caso recente
Na terça-feira (16), um jovem de 16 anos morreu após ser atingido por uma viga de ferro de aproximadamente 200 quilos durante uma obra no bairro Éden, em Sorocaba. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, a viga se desprendeu de um guindaste durante a movimentação da carga. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas a vítima não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A perícia técnica esteve na obra e o caso é investigado pelo 6º Distrito Policial do Éden. (Murilo Aguiar)