Apas projeta alta de 3,7% nas vendas de Natal

Associação Paulista de Supermercados também aponta menor reajuste de preços desde 2017

Por Cruzeiro do Sul

Segundo a Apas, o preço do azeite recuou em 2025 após mudanças no imposto de importação

 

Uma pesquisa da Associação Paulista de Supermercados (Apas) aponta que as vendas de Natal em 2025 devem crescer 3,7% em relação ao ano anterior. O levantamento também indica que o reajuste dos preços dos itens de consumo, inferior a 1%, deve ser o menor desde 2017.

Segundo a Apas, 2025 tem sido um período de maior estabilidade no valor dos alimentos. O presidente da associação afirma que os produtos tradicionais da ceia apresentaram pouca variação e, em alguns casos, ficaram mais baratos. Itens que antes pressionavam o orçamento, como café, arroz e azeite, registraram queda. As carnes se mantêm estáveis, e o preço do azeite recuou após alterações no imposto de importação.

Com preços mais controlados, as famílias sentem maior folga no orçamento, o que reforça a expectativa de aumento no consumo durante as festas, quando cresce a procura por alimentos para ceias, presentes e encontros de fim de ano.

O panetone ilustra esse movimento. Tradicionalmente concentrado no mês de dezembro, o consumo agora se espalha ao longo do ano. Entre janeiro e novembro, as vendas do produto cresceram 12% em comparação com o mesmo período de 2024.

O economista Marcos Canhada avalia que a projeção de crescimento real de 3,7% nas vendas de Natal é compatível com o cenário apresentado pela Apas. Para ele, a estabilidade dos preços dos itens natalinos ao longo de 2025, com reajustes abaixo de 1% e queda em alguns casos, cria um ambiente favorável ao aumento do consumo nas festas. “Em períodos de menor pressão inflacionária, as famílias reorganizam melhor o orçamento e tendem a comprar mais em datas comemorativas, o que impulsiona o varejo”.

Canhada observa que a desaceleração dos preços destacada pela Apas é específica aos itens da cesta natalina e não indica, necessariamente, uma queda generalizada da inflação. “Fatores externos ao varejo influenciam diretamente o comportamento dos preços dos alimentos, como a oferta agrícola, a estabilidade cambial, os custos logísticos e a distribuição da demanda ao longo do ano, evitando picos sazonais”.

O economista alerta que a atual estabilidade depende de condições favoráveis. A continuidade desse cenário está ligada ao desempenho das safras, ao comportamento do câmbio, aos custos de combustíveis e transporte e à renda das famílias. Mudanças climáticas ou pressões externas podem elevar novamente os custos de produção e, consequentemente, os preços ao consumidor no início de 2026. (Maria Clara Campos - programa de estágio)