Câmara vota revogação de regra que limita loteamentos longe de serviços essenciais

Com a mudança, loteamentos poderão ser implantados em áreas mais distantes das infraestruturas urbanas existentes

Por Cruzeiro do Sul

Mudança pode permitir abertura de loteamentos em áreas mais afastadas da infraestrutura urbana existente

Uma das pautas da sessão extraordinária da Câmara de Sorocaba de hoje (9) propõe a revogação do artigo 1º da Lei Municipal nº 2.028/1979, dispositivo que há mais de 40 anos impõe restrições à implantação de loteamentos e arruamentos situados a mais de mil metros de serviços públicos essenciais, como redes de água e esgoto, energia elétrica e transporte coletivo. Com a mudança, loteamentos poderão ser implantados em áreas mais distantes das infraestruturas urbanas existentes.

Segundo a justificativa do projeto, a regra se tornou incompatível com a realidade atual do município, diante da expansão da infraestrutura urbana e das novas diretrizes de planejamento adotadas pela prefeitura.

O Projeto de Lei nº 789/2025, de autoria do Executivo, argumenta que a manutenção da norma dificultaria o desenvolvimento urbano ordenado, prejudicando investimentos e o atendimento às demandas habitacionais, além de não refletir as condições técnicas e territoriais vigentes. A revogação, conforme a proposta, busca modernizar o ordenamento municipal, eliminar dispositivos obsoletos e alinhar as políticas de urbanização ao Plano Diretor e às legislações contemporâneas.

Construções irregulares

Também está na pauta da sessão o Projeto de Lei nº 651/2025, de autoria do vereador Fernando Dini (PP), que altera o artigo 8º da Lei Municipal nº 12.927/2023, prorrogando o prazo de validade da norma que trata da legalização de construções irregulares em Sorocaba.

A proposta estende por mais 48 meses a vigência da lei e determina que sua revisão seja feita pela Câmara com base em dados fornecidos pela prefeitura, sob responsabilidade da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano. A medida busca assegurar a continuidade do processo de regularização enquanto o novo Código de Obras — alinhado ao Plano Diretor — não é concluído.

Conforme Fernando Dini, a extensão do prazo preserva o caráter cidadão da norma, favorecendo moradores que dependem da regularização para obter segurança jurídica e acesso pleno aos serviços urbanos.

O vereador destaca que o mecanismo de legalização não representa flexibilização indevida das normas de urbanismo, meio ambiente ou zoneamento, uma vez que mantém critérios tributários e técnicos diferenciados conforme cada caso, garantindo tratamento justo e compatível com o ordenamento jurídico municipal. Para o autor, a proposta assegura a continuidade de um instrumento essencial para a organização urbana, a redução de passivos de construção e o fortalecimento da gestão pública.

Novo brasão

Encerrando a pauta da sessão extraordinária, será votado o Projeto de Lei nº 826/2025, de autoria de Luis Santos (Republicanos), que institui o novo Brasão de Armas do Município de Sorocaba, atualizando o símbolo oficial e substituindo a legislação vigente desde 1948.

O texto descreve detalhadamente os elementos heráldicos que compõem o brasão, incluindo escudo português, coroa mural de prata com cinco torres, flor-de-lis azul, cavalos brancos como suportes laterais e a representação da antiga estrada de ferro, além da divisa em latim “Pro una libera patria pugnavi”.

Cada elemento é justificado historicamente, remetendo ao tropeirismo, à fé local, à participação dos sorocabanos em marcos nacionais e ao desenvolvimento industrial da cidade. O projeto também regulamenta o uso obrigatório e o facultativo do novo brasão, veda sua reprodução por entes privados e estabelece prazo de três anos para a substituição gradual dos materiais institucionais que contenham o símbolo antigo.

Segundo Luis Santos, a proposta busca alinhar a identidade visual oficial à tradição histórica do município, fortalecendo o sentimento de pertencimento e preservando critérios econômicos durante a transição. (Da Redação)

 

LOA 2026 será votada hoje em redação final

Será votada hoje (9), na Câmara de Sorocaba, a redação final do Projeto de Lei nº 709/2025, de autoria do Executivo, que dispõe sobre a Lei Orçamentária Anual (LOA) de Sorocaba para 2026. Com receita orçamentária estimada em R$ 6,016 bilhões, a proposta recebeu 1.130 emendas parlamentares, das quais foram aprovadas 982. A matéria está em discussão única na sessão ordinária, prevista para começar às 9h.

Na justificativa do projeto, o Executivo afirma que está sendo observada a determinação constitucional de aplicar ao menos 25% das receitas de impostos na manutenção do ensino. No ensino infantil, serão aplicados R$ 242,2 milhões; no ensino fundamental, R$ 337,3 milhões; e as retenções ao Fundeb perfazem R$ 303,3 milhões. O total aplicado no ensino é de R$ 882,8 milhões, o que representa 27,06% das receitas, acima do limite constitucional.

Também em relação à saúde foi cumprido o preceito constitucional que estabelece investimento mínimo de 15% das receitas de impostos no setor. Com pessoal e encargos sociais na saúde estão previstos R$ 456,3 milhões; para outras despesas correntes serão destinados

R$ 375,5 milhões; e para investimentos estão previstos R$ 2,3 milhões, totalizando R$ 834,2 milhões a serem aplicados na saúde, o que representa 25,72% das receitas, acima do limite mínimo obrigatório. (Da Redação)

 

MAIORES ORÇAMENTOS

1) Secretaria da Educação — R$ 1,137 bilhão
2) Secretaria da Saúde — R$ 1,107 bilhão
3) Secretaria de Mobilidade — R$ 489,4 milhões
4) Secretaria da Fazenda — R$ 293,6 milhões
5) Secretaria de Parcerias — R$ 243,6 milhões
6) Secretaria do Meio Ambiente e Proteção Animal — R$ 234,7 milhões
7) Secretaria de Serviços Públicos e Obras — R$ 195,3 milhões
8) Secretaria de Recursos Humanos — R$ 145,4 milhões