Motos respondem por 40% das mortes no trânsito no Brasil

Em Sorocaba, motociclistas seguem entre as principais vítimas, números do Infosiga apontam 40 mortes na cidade em 2025

Por Da Redação

Dados do Infosiga/Detran-SP apontam que, entre janeiro e outubro de 2025, Sorocaba registrou 99 mortes no trânsito

Um novo levantamento divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que as motocicletas já representam quase 40% de todas as mortes no trânsito no Brasil, indicando um cenário de agravamento na violência viária e de sobrecarga ao Sistema Único de Saúde. Os dados mostram que, em 1998, apenas 3% dos óbitos envolviam motos; hoje, esse percentual multiplicou-se por mais de dez.

O fenômeno acompanha a explosão da frota: o país passou de 2,7 milhões de motocicletas para mais de 34 milhões nas últimas duas décadas. O Ipea ressalta ainda que as motos concentram cerca de 60% das internações por acidentes de transporte, com custos hospitalares superiores a R$ 270 milhões anuais apenas no SUS. A carga da violência associada às motos é desigual, considerando o perfil social das vítimas: cerca de 70% das mortes e internações por sinistros de motos atingem pessoas de 20 a 49 anos, com destaque para o grupo de 20 a 29 anos, que representa cerca de um terço das vítimas, embora represente parcela bem menor da população.

Ainda de acordo com a publicação, em duas décadas, as internações por sinistros com motocicletas no SUS se multiplicaram, superando 160 mil internações e representando cerca de 60% de todas as internações por acidentes de transporte terrestre. Os gastos hospitalares com vítimas de motos passaram de R$ 41 milhões para aproximadamente R$ 273 milhões (em valores reais), o que corresponde a quase dois terços do total despendido com sinistros de trânsito.

Reflexo direto em Sorocaba

Os números nacionais encontram paralelo no tráfego sorocabano. Dados do Infosiga/Detran-SP apontam que, entre janeiro e outubro de 2025, Sorocaba registrou 99 mortes no trânsito, queda de 9,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da redução, o impacto das motocicletas permanece elevado: 40 motociclistas perderam a vida no período — uma queda de 29,8% em relação ao ano anterior, mas ainda proporcionalmente alta no conjunto de vítimas.

Somente em outubro de 2025, três motociclistas morreram em vias urbanas e rodovias da cidade, número 25% menor que o registrado no mesmo mês de 2024. No acumulado de 12 meses (novembro de 2024 a outubro de 2025), Sorocaba contabilizou 122 mortes no trânsito, mantendo patamar estável em relação aos 12 meses anteriores.

A frota urbana ajuda a explicar o cenário: Sorocaba possui quase 570 mil veículos, incluindo milhares de motos que compõem parcela essencial do transporte individual e do trabalho por entrega. Com população estimada em 733 mil habitantes, a cidade apresenta taxa de 16,64 mortes por 100 mil habitantes, índice considerado elevado para centros urbanos de grande porte.

Vias mais críticas

O Infosiga também lista as vias com maior incidência de fatalidades. Entre novembro de 2024 e outubro de 2025, destacam-se:

•SP-270 (Raposo Tavares) – 20 óbitos
•Avenida Itavuvu – 9 óbitos
•Avenida Ipanema – 8 óbitos
•SP-075 (Castelinho) – 8 óbitos
•Avenida Dom Aguirre – 5 óbitos

Essas vias concentram tráfego intenso, mistura de modais e velocidades elevadas — fatores que aumentam o risco para motociclistas.

Os sinistros na cidade, no período analisado, somaram 2.002 ocorrências, com custo estimado de R$ 233,2 milhões para a sociedade. O impacto econômico inclui atendimentos médicos, perda de produtividade, danos materiais e efeitos sociais decorrentes da morte de pessoas em idade economicamente ativa — grupo que domina as estatísticas envolvendo motocicletas. (da Redação)