Artistas denunciam falta de pagamento em eventos da Prefeitura de Sorocaba

Por Cruzeiro do Sul

Sede da Secult

Artistas que prestaram serviços para eventos oficiais da Prefeitura de Sorocaba denunciam atrasos nos pagamentos e relatam prejuízos financeiros, falta de resposta da empresa responsável pelo repasse e desmonte das políticas culturais no município. Alguns profissionais afirmam que trabalham desde julho sem receber e que a dívida acumulada com nove artistas já soma R$ 22.500, referentes a 18 atividades realizadas.

Os pagamentos deveriam ter sido feitos por uma empresa contratada pela Secretaria de Cultura por meio de licitação; no entanto, os artistas afirmam que a empresa não realizou o pagamento e não responde a mensagens, ligações ou e-mails. Uma artista, que prefere não se identificar, trabalhou na programação cultural desde julho e relata que recebeu previsão de pagamento para 20 de agosto. Desde então, o representante da empresa não respondeu mais. Ela realizou seis apresentações entre julho e outubro, todas sem pagamento até agora.

Outro profissional, João Leopoldo, se apresentou em 17 de agosto, no evento de aniversário da cidade, e afirma estar há quase três meses sem retorno: “Sabemos que existe um prazo, até 30 dias. Mas já estamos chegando a três meses sem nenhuma resposta definitiva. Tenho amigos que prestaram serviço antes de mim e também não receberam.”

Os artistas alegam que arcaram com custos de figurinos, equipamentos e deslocamentos, acreditando no pagamento dentro do prazo contratual. Para uma das trabalhadoras, o impacto vem se acumulando mês após mês: “Houve investimento em figurino. Eu paguei o figurinista cumprindo o prazo combinado. Ou seja, até agora eu literalmente paguei para trabalhar.”

Segundo os trabalhadores, a Secretaria de Cultura informou que os valores já foram repassados para a empresa vencedora da licitação: “A Prefeitura fez o procedimento, contratou a empresa que venceu. Essa empresa já recebeu a verba — eles nos enviaram as notas fiscais —, mas se recusa a pagar e não responde a nenhum e-mail ou WhatsApp.”

João Leopoldo confirma a mesma versão: “A Prefeitura pagou a empresa. Isso está no Portal da Transparência. Mas não sabemos por que a empresa não repassou aos artistas.”

Diante da situação, alguns profissionais cancelaram apresentações futuras e afirmam que não pretendem mais trabalhar em eventos promovidos pela administração municipal.

Além dos atrasos, os artistas criticam o que chamam de “desmonte da Cultura em Sorocaba”. Para eles, a falta de investimentos e o descaso com políticas culturais dificultam a permanência dos profissionais na área: “Acho um absurdo que uma cidade como Sorocaba invista tão pouco em cultura. O que já era pouco ficou pior com cortes inexplicáveis”, diz João. “Existe um descaso. O governo não enxerga pluralidade. A classe artística só existe porque teima em resistir. Muitos artistas precisam fazer outros trabalhos porque seus projetos são sucateados”, diz outra artista.

Sem pagamento e sem respostas, os artistas afirmam que estão se organizando para entrar com uma ação coletiva caso a situação não seja resolvida nos próximos dias. “Espero que resolvam. Eles nos contrataram e a responsabilidade é deles. Estamos nos organizando para entrar com ação coletiva”, afirma a denunciante.

João Leopoldo cobrou mais transparência e criticou a gestão cultural: “Precisamos que a pasta da Cultura seja liderada por alguém mais atuante, que faça parte da classe.”

O que dizem os envolvidos

A Secretaria de Cultura (Secult) da Prefeitura de Sorocaba afirmou que não há atrasos nos pagamentos aos artistas contratados pela administração municipal. De acordo com a pasta, os valores relativos aos serviços prestados entre junho e outubro de 2025 foram repassados à empresa vencedora da licitação nos dias 17 de outubro e 7 de novembro, conforme acordado.

Sobre a alegação de profissionais da Cultura com pagamentos pendentes, a Secult esclarece que não há débitos por parte da administração municipal: “a gestão financeira é de responsabilidade da empresa contratada, sendo ela quem faz os repasses aos artistas.”

A regularização das notas fiscais também foi destacada pela Secult. Segundo a secretaria, todas as notas correspondentes aos serviços prestados já foram quitadas nas datas mencionadas, encerrando eventuais pendências.

Em relação ao orçamento, a prefeitura confirmou um corte de R$ 1,2 milhão na dotação da Secult, mas afirmou que isso não comprometerá as operações: mesmo com a adequação orçamentária, os principais projetos e ações culturais seguem sendo executados, com otimização de recursos para manter as entregas.

Quanto ao Instituto Municipal de Música de Sorocaba (IMMS), a secretaria disse que não há risco de redução ou suspensão das atividades. Foi firmado um contrato de execução por mais cinco anos, o que garante estabilidade para os cursos e projetos musicais.

Sobre uma possível investigação do Ministério Público, a prefeitura afirmou que não recebeu notificação oficial até o momento. Já em relação ao decreto que promoveu o corte de verba na Cultura, a Secult informou que, por enquanto, não há previsão de revogação, mas que o cenário orçamentário está sendo monitorado para eventuais ajustes futuros.

A empresa Bombardier Eventos, que seria a responsável pelo pagamento de artistas sorocabanos em eventos da Prefeitura de Sorocaba, foi questionada, mas até o início da noite de ontem (25) não havia respondido. O espaço permanece aberto para manifestação. (Da Redação)