Operação Copia e Cola: PF aponta Saae em propinas e fraudes
Ação investiga esquema de corrupção envolvendo direcionamento de contratos, fraudes em licitações e pagamento de propina a servidores públicos
A Polícia Federal apontou o diretor-presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Sorocaba, Glauco Enrico Bernardes Fogaça, como um dos integrantes de um esquema de propina e fraudes envolvendo contratos que somam R$ 194 milhões. As informações constam em reportagem do G1 Sorocaba, que detalha que Fogaça teria recebido R$ 65 mil para repassar documentos sigilosos de licitação, conforme registros encontrados no celular de Josivaldo Batista de Souza — bispo evangélico, cunhado do prefeito afastado Rodrigo Manga (Republicanos), e preso na segunda fase da Operação Copia e Cola, deflagrada em 6 de novembro.
A Operação Copia e Cola investiga um esquema de corrupção envolvendo direcionamento de contratos, fraudes em licitações e pagamento de propina a servidores públicos. Para a PF, o grupo utilizava uma contabilidade paralela para registrar repasses ilícitos, identificar beneficiados e controlar valores distribuídos dentro da organização. A apuração revelou que empresas que aparecem na planilha de propinas continuaram firmando ou mantendo contratos com o Saae mesmo após a operação policial.
Entre elas está a Eteng Engenharia e Serviços Ltda., identificada como “Eteng” nos registros paralelos, que teria recebido R$ 72,6 milhões da autarquia entre 2018 e 2025. Na contabilidade apreendida, há lançamentos que somam R$ 553,8 mil relacionados à empresa, reforçando a suspeita de pagamentos ilícitos.
Outra empresa citada na investigação é a Única Sorocaba Vigilância e Segurança Patrimonial Ltda., vinculada ao empresário Fernando Francisco Prette. A empresa teria recebido mais de R$ 122 milhões do Saae desde 2014. A PF também aponta que contratos com essas empresas seguiram ativos mesmo após o avanço da 1ª fase da operação, em abril.
O que dizem os envolvidos
A Prefeitura de Sorocaba foi questionada a respeito do Saae e do próprio Glauco. E informou que não foi oficialmente notificada sobre qualquer denúncia relacionada ao assunto. “O setor jurídico do município não teve acesso ao conteúdo, que tramita sob sigilo”, diz a nota. A autarquia esclareceu que “todos os contratos celebrados seguiram rigorosamente os procedimentos legais, em conformidade com a legislação vigente.”
O Cruzeiro do Sul também questionou as empresas Eteng, Única, além da defesa de Josivaldo, mas não obteve retorno até a conclusão da reportagem. O espaço segue aberto para todos. (Da Redação)