Dia da Bandeira: tradição e história se encontram em cerimônia cívica
Entre a formalidade militar e o brilho nos olhos das crianças, o evento reafirma que os símbolos da República ainda ocupam um espaço entre diferentes gerações
Celebrado em 19 de novembro, o Dia da Bandeira é uma das datas cívicas mais simbólicas do Brasil. Instituído em 1889, poucos dias após a Proclamação da República, marca a adoção oficial da bandeira que permanece como símbolo nacional até hoje. Para além da data histórica, a cerimônia realizada anualmente por quartéis e instituições públicas ainda preserva atos, gestos e valores que conectam gerações à identidade brasileira.
Nesse sentido, a Base de Apoio Regional do Exército em Sorocaba realizou na manhã desta quarta-feira (19), uma cerimônia em comemoração à data. A solenidade ocorreu no pátio da base, com a presença de militares e de crianças entre quatro e seis anos. Após o ato de hastear a bandeira, foi realizada a incineração em uma pira (estrutura de incineração), conduzida pelo sargento mais antigo do quartel. Depois do protocolo, foi passada a palavra ao tenente-coronel André Zanella, que reforçou a importância dessa tradição nos dias de hoje. “Os emblemas nacionais, como a bandeira do Brasil, o hino, o brasão da República e o selo nacional são símbolos máximos de uma pátria. Então, eles têm que ser mantidos, a gente tem que conservar as tradições, até para sempre exaltar o nosso nacionalismo”, disse o militar.
Trazer as crianças para participar desse ato contribui para manter as tradições, preservar a memória e transmitir os valores que fazem parte da identidade do país. Quando vivenciam essas práticas, os atos deixam de ser apenas procedimentos formais e passam a integrar o aprendizado. Ao acompanhar a cerimônia de perto, os alunos entendem a importância dos símbolos nacionais e aprendem a valorizá-los. “As crianças precisam dessa experiência para poder aprender melhor”, afirma Angelita Cristina de Paiva Moraes, diretora de uma das escolas presentes.
Durante a solenidade, parte do protocolo inclui a incineração de bandeiras antigas. A escolha dessas bandeiras segue critérios específicos: são selecionadas apenas as que estão desgastadas, rasgadas ou com cores desbotadas, tornando-se inservíveis para o uso oficial. Algumas são coletadas em escolas ou entregues voluntariamente por instituições, enquanto outras são de uso interno do quartel.
Como surgiu a celebração
A cerimônia do Dia da Bandeira começou poucos dias após a Proclamação da República, mas foi sendo ajustado e enriquecido ao longo dos anos. “Essa tradição não nasceu de um único fato, mas de uma evolução natural de práticas que se consolidaram no ambiente militar”, explica o tenente-coronel.
A bandeira brasileira, criada por Raimundo Teixeira Mendes, Miguel Lemos, Manuel Pereira Reis e Décio Vilares, em 1889, traz elementos que representam a nova fase republicana do país. As cores — verde, amarelo, azul e branco — carregam significados históricos, enquanto as estrelas simbolizam cada estado da federação. O globo azul representa o céu do Rio de Janeiro em 15 de novembro, visto “de cima para baixo”, o que explica o posicionamento das constelações.
A cada 19 de novembro, a cerimônia do Dia da Bandeira renova o compromisso com a memória nacional. Entre a formalidade militar e o brilho nos olhos das crianças que assistem pela primeira vez, o evento reafirma que os símbolos da República ainda ocupam um espaço de respeito e união entre diferentes gerações.
A tradição, como dizem os próprios militares, é construída — e segue viva justamente porque encontra novos significados a cada ano, seja no quartel, na escola ou na formação cívica de cada brasileiro.