Base do governo vai comandar a CPI da Saúde
Cláudio Sorocaba é eleito presidente, enquanto Cristiano Passos ganha a relatoria da Comissão que vai apurar supostos esquemas de corrupção e fraudes na saúde
Os vereadores Cláudio Sorocaba (PSD) e Cristiano Passos (Republicanos), ambos aliados do prefeito afastado Rodrigo Manga (Republicanos), vão comandar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, instaurada na manhã de ontem (13) para apurar supostos esquemas de corrupção e fraudes na área da saúde.
A votação que definiu Cláudio como presidente da CPI e Cristiano como relator foi marcada por protestos e confusão. A escolha ocorreu em uma sala fechada, distante do público presente no plenário da Câmara, por determinação do presidente do Legislativo, Luis Santos (Republicanos). A vereadora Iara Bernardi (PT) tentou que a votação fosse realizada de forma aberta, mas apenas sete vereadores apoiaram o pedido.
A saída dos parlamentares para a sala onde seria feita a escolha da mesa da CPI provocou novo tumulto. Algumas pessoas presentes na Câmara tentaram obstruir a passagem dos vereadores, exigindo que a votação fosse pública. A Guarda Civil Municipal (GCM) e os seguranças da Casa precisaram intervir.
Antes mesmo do fim da votação, Raul Marcelo (PSOL), Fernanda Garcia (PSOL), Iara Bernardi e Izídio de Brito (PT) deixaram o plenário, alegando discordância com a condução dos trabalhos. “A CPI vai ser chapa branca. Não houve acordo com a oposição em torno da presidência ou da relatoria”, afirmou Raul Marcelo.
Os candidatos
Para a presidência da CPI da Saúde, além de Cláudio Sorocaba, disputavam Dylan Dantas (PT), Iara Bernardi (PT) e Toninho Corredor (Agir). Para a relatoria, concorriam Cristiano Passos, Henri Arida (MDB), Tatiane Costa (PL) e Toninho Corredor.
Após a escolha, Cláudio Sorocaba afirmou ter sido surpreendido com sua eleição. “O nosso objetivo como presidente da CPI é conduzir os trabalhos. Temos de unir todos os vereadores. Semana que vem vamos reunir os membros para definir o caminho e o trabalho da Comissão”, disse, acrescentando que vê possibilidade de concluir tudo no prazo de 90 dias.
Cristiano Passos, por sua vez, afirmou que “a CPI é um objeto extremamente político”. Sobre o andamento das investigações, completou: “O presidente chama a reunião e, após o início dos trabalhos, vamos solicitar à Prefeitura de Sorocaba os documentos e contratos. Depois disso, faremos as oitivas. Será uma CPI aberta e técnica”.
Oposição reclama
Descontente com as escolhas, o vereador Izídio de Brito afirmou que deveria ter havido respeito aos parlamentares que assinaram primeiro o pedido de abertura da CPI. “Prevaleceu a chapa branca. Nós seguiremos com nosso papel de fiscalizar. Geralmente, quando se faz uma discussão desse tipo, há acordos e avaliação sobre isenção ou não para o cargo.” Fernanda Garcia afirmou que acompanhará os trabalhos e cobrará atuação séria da Comissão.
Entenda a CPI
Proposta inicialmente por vereadores do PT e PL, a CPI da Saúde recebeu as assinaturas dos demais parlamentares apenas na noite de terça-feira (11). Com sua instauração, a Comissão deve investigar denúncias de irregularidades na contratação de empresas que prestavam serviços na área da saúde.
A CPI foi motivada pela Operação Copia e Cola, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em abril e retomada em uma segunda fase no dia 6 deste mês. A investigação apura supostos esquemas de corrupção e fraudes em contratos firmados durante a administração do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), afastado do cargo por seis meses.
Segundo a PF, há indícios de corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa. A CPI instaurada pela Câmara deverá atuar em paralelo às investigações federais. (Vernihu Oswaldo)