Lombadas se multiplicam em Sorocaba e dividem opiniões entre motoristas

Em algumas vias, obstáculos aparecem a cada 200 metros; excesso preocupa condutores, enquanto especialistas alertam para necessidade de critérios técnicos

Por Cruzeiro do Sul

Instaladas para reduzir acidentes, lombadas se tornaram parte da paisagem urbana, mas também levantam dúvidas sobre eficiência, localização e manutenção

Quem trafega pelas ruas de Sorocaba tem a sensação de que o número de lombadas aumentou nos últimos anos. Em algumas vias, os obstáculos aparecem a cada 200 ou 300 metros — às vezes até em subidas, onde o próprio relevo já exige redução de velocidade. As ruas Ramon Haro Martini e Pedro José Senger, na zona leste de Sorocaba, estão entre os exemplos mais citados por motoristas. Já a rua Leondina Gonçalves Mobaier, que liga o Júlio de Mesquita ao Wanel Ville, também chama a atenção pela quantidade de ondulações no asfalto.

Instaladas para reduzir a velocidade dos veículos e, consequentemente, diminuir os acidentes, as lombadas costumam ser construídas a pedido de moradores, principalmente em áreas residenciais e próximas a escolas. No entanto, o excesso desses dispositivos também traz impactos negativos: o constante “freia e acelera” aumenta o consumo de combustível, o tempo de deslocamento e o desgaste dos veículos, sem contar a sensação de que o trânsito da cidade ficou mais lento e irregular.

Condutores divididos

A percepção dos motoristas é divergente. Para muitos, as lombadas são um mal necessário; para outros, um excesso que atrapalha a fluidez do trânsito. O motorista Arilson Paulo de Moraes, por exemplo, defende a instalação de mais redutores, principalmente em bairros periféricos. “Tem bastante lombada em Sorocaba, sim, mas ainda acho que precisa de mais. Em muitos lugares da cidade, principalmente nos bairros, ainda falta. O pessoal costuma abusar da velocidade. Elas ajudam a controlar e evitar acidentes. Quanto mais segurança tiver nas ruas, melhor para todo mundo.”

Já o autônomo Wendel Marinho Silva tem opinião diferente. “Na zona industrial, no Éden e no Cajuru, tem muitas lombadas, algumas até desnecessárias. Já no Centro é o contrário: faltam em locais de grande movimento de pedestres. As lombadas acabam sendo uma forma de exigir mais consciência dos motoristas, mas nem sempre o lugar escolhido é o ideal.”

Para o caminhoneiro Edigeze Bartolomeu Farias, a cidade atingiu um ponto de equilíbrio. “Acredito que Sorocaba tem uma quantidade razoável de lombadas. A cidade não pode ficar o tempo todo investindo só em sinalização, isso também depende da disciplina das pessoas. Em subidas, acho desnecessário, porque o carro já não pega tanta velocidade. Nessas situações, não faz sentido ter lombada.”

Sem resposta

O Cruzeiro do Sul questionou a Secretaria de Mobilidade (Semob) de Sorocaba sobre o número total de lombadas existentes na cidade e a média de novas instalações por mês. Contudo, até a publicação desta matéria, não recebeu as respostas. O espaço segue aberto.

O que diz a legislação?

De acordo com o artigo 94 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), “é proibido o uso de dispositivos ou equipamentos destinados a causar trepidação ou ruído na passagem de veículos, exceto nos casos e locais definidos pelo Conselho Nacional de Trânsito [Contran]”.

Na prática, isso significa que nenhuma prefeitura pode instalar lombadas por conta própria ou apenas por demanda popular, sem respaldo técnico. O Contran, por meio de resoluções, estabelece que as ondulações transversais devem obedecer a critérios rigorosos de engenharia de tráfego.

Essas regras determinam que os redutores só podem ser implantados após estudo técnico que comprove a necessidade, levando em conta o volume de veículos, o histórico de acidentes e a eficácia de outras medidas de segurança, como radares e sinalização.

O manual do Contran também define padrões: altura máxima entre oito e dez centímetros, largura de 3,7 a 4,2 metros, pintura horizontal amarela e placa de advertência a pelo menos 30 metros de distância.

Quando construídas fora desses parâmetros ou sem análise técnica, as lombadas passam a ser consideradas irregulares, podendo inclusive gerar questionamentos sobre responsabilidade em caso de danos ou acidentes. 

(João Frizo  - Programa de estágio)