Casos de meningite caem, mas mortes aumentam em 2025

Por Thaís Marcolino

Vacinação é a principal forma de prevenir a doença


Ao menos 50 pessoas receberam diagnóstico positivo para meningite em Sorocaba e Votorantim nos primeiros dez meses do ano. No Brasil, no mesmo período, foram mais de quatro mil casos, segundo o Ministério da Saúde. Os números não são considerados alarmantes pelas autoridades, mas servem de alerta para a população sobre uma doença que pode levar à morte e tem como principal medida preventiva a vacinação.

Em Sorocaba, o número de mortes aumentou. Foram nove óbitos entre janeiro e outubro deste ano, ante cinco em 2024 e sete em 2023. Quanto aos casos, nos primeiros dez meses de 2025, 46 pessoas receberam diagnóstico positivo para a doença, ante 61 em todo o ano passado. Em 2023, por sua vez, a Secretaria da Saúde registrou 94 notificações — dados que compõem o levantamento encaminhado ao Cruzeiro do Sul.

Os números de Votorantim também mostram redução de casos ao longo dos anos. Em 2024, o município contabilizou 12 diagnósticos e dois óbitos, o mesmo total de 2023. Considerando apenas o período de janeiro a outubro, foram nove casos e duas mortes em 2024, contra oito registros e nenhum óbito em 2025.

A reportagem também solicitou informações à Prefeitura de Araçoiaba da Serra, mas mesmo após o prazo de três dias, os dados não foram enviados.

A doença

A meningite é uma inflamação das meninges — membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal — e pode ser causada por bactérias, vírus, fungos ou parasitas. Conforme o Ministério da Saúde, as meningites bacterianas são mais frequentes no outono e inverno, enquanto as virais predominam na primavera e no verão.

Os sintomas da forma viral incluem febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz (fotofobia). Outros sinais podem ser confusão mental, sonolência, irritabilidade, perda de apetite e, em alguns casos, erupções cutâneas. Em bebês, os sintomas tendem a ser mais vagos, como irritabilidade, dificuldade para se alimentar ou sonolência excessiva.

Segundo médicos, as meningites podem ser virais ou bacterianas, e diferem entre si quanto ao tratamento e ao prognóstico clínico. Há, contudo, sintomas comuns, como febre alta, dor de cabeça forte, rigidez na nuca — que impede de abaixar o queixo até o peito —, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz.

A doença é grave e pode causar complicações sérias, como danos cerebrais, perda de audição e visão, convulsões, paralisia e, em casos mais severos, levar à morte.

Para prevenir, é importante reforçar a higiene das mãos com água e sabão, especialmente antes das refeições e após o uso de sanitários, além de manter a limpeza e desinfecção regular de superfícies, brinquedos e utensílios compartilhados. Também é essencial garantir boa ventilação nos ambientes, evitar o compartilhamento de objetos pessoais — como copos, talheres e garrafas— e cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar, preferencialmente com lenço descartável.

Além dessas medidas diárias, a vacinação é considerada a principal forma de prevenção.

Vacinação

Em julho, o Ministério da Saúde anunciou mudanças nas doses da vacina ACWY. O imunizante agora também pode ser aplicado em crianças de 12 meses de vida como reforço dentro do esquema vacinal contra a meningite — anteriormente, essa aplicação era feita apenas com a meningocócica C.

Com a atualização, o esquema completo contra a doença, na rede pública, passa a ser o seguinte: duas doses da meningocócica C, aplicadas aos 3 e 5 meses, e um reforço com a ACWY aos 12 meses. Entre 11 e 14 anos, a orientação é aplicar novamente a ACWY — em dose única ou como reforço, conforme o histórico vacinal.

Outras vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), como a BCG, a penta e as pneumocócicas 10, 13 e 23-valente, também ajudam a proteger contra algumas formas de meningite, segundo o Ministério.

Em Sorocaba, a cobertura vacinal, conforme levantamento da Secretaria da Saúde (SES), está acima da registrada no ano passado. A dose destinada a bebês atingiu 88% do público em 2025, ante 85% em 2024. A meningocócica C, por sua vez, alcançou 93% de vacinados até o momento. Entre adolescentes, 5.770 receberam a dose entre janeiro e outubro deste ano.

No município vizinho, Votorantim, a situação é semelhante: a cobertura vacinal está em 94,8% em 2025, enquanto em 2024 o índice foi de quase 91%. A prefeitura, no entanto, não especificou as faixas etárias correspondentes.

Em nota, a Prefeitura de Votorantim informou que realiza campanhas de educação e conscientização para manter a vacinação em dia, além de parcerias com a Secretaria de Educação para aplicação das doses nas escolas.

A Prefeitura de Sorocaba afirmou que tem promovido ações de imunização em vários pontos da cidade. Para receber o imunizante contra a meningite ou tirar dúvidas sobre a vacina adequada para cada faixa etária, deve-se procurar uma das 33 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), de segunda a sexta-feira — em horários que variam conforme o local. (Com informações da Agência Brasil e do Ministério da Saúde) (Thaís Marcolino)