Clima instável e variação de temperatura marcam a semana na RMS
Moradores relatam impactos na saúde, na rotina e nas tarefas domésticas
Os moradores de Sorocaba, Votorantim e Araçoiaba da Serra enfrentam uma semana de forte variação de temperatura. As manhãs começam frias, mas ao longo do dia os termômetros sobem com o predomínio do sol. No fim da tarde e à noite, o calor dá lugar novamente ao frio. Essa oscilação tem influenciado a rotina da população e exigido cuidados com a saúde.
Em Sorocaba, a previsão para esta segunda-feira (20) indica manhãs frias, com mínima de 11°C e máxima de 21°C, sob céu com muitas nuvens. Na terça-feira (21), as temperaturas variam entre 10°C e 24°C. A quarta-feira (22) deve registrar a maior diferença da semana, com 9°C pela manhã e 26°C à tarde. Na quinta-feira (23), o sol ganha força e os termômetros oscilam entre 11°C e 27°C. A sexta-feira (24) deve ser o dia mais quente, com mínima de 12°C e máxima de 28°C.
Diante dessas mudanças, os munícipes contam sobre a dificuldade para lidar com o clima instável. Vitória Santos da Silva, moradora de Sorocaba, relata que tem sido difícil escolher a roupa certa para sair de casa. “O tempo anda bem bagunçado. Tá frio, tá calor ao mesmo tempo. De manhã tá um arzinho gelado, no período do meio-dia começa a esquentar, e à tarde esfria de novo, além dessa ventania também. Não tem roupa que seca no varal”, desabafa. Victoria também menciona que a mudança constante de temperatura tem afetado sua saúde: “Já fiquei doente sim, gripe, tosse”.
Laura Moreira Rena, que trabalha num Pronto-Socorro, percebeu um aumento no número de atendimentos a pacientes com sintomas gripais ou doenças persistentes. “As pessoas estão ficando doentes por muitas semanas, às vezes meses. Gripe que não passa, sinusite que volta. |Um reflexo direto desse clima instável”. Ela conta que sempre leva roupas extras no carro — tanto para o frio quanto para o calor — por causa do filho, mas nem sempre consegue se prevenir da mesma forma. “Ele está sempre protegido, mas eu acabo passando aperto. Saio de casa achando que o dia será de um jeito e sou surpreendida”.
Araçoiaba da Serra também mantém esse instabilidade climática. A semana iniciou com mínima de 10°C e máxima de 20°C. Na terça e na quarta-feira, as temperaturas variam entre 9°C de manhã e máximas de 23°C e 25°C. Já na quinta e sexta-feira, os valores oscilam entre 10°C e 23°C, e 11°C e 25°C, respectivamente.
A assistente administrativo, Fernanda Veras, relata que acompanha a previsão do tempo todos os dias antes de sair. “Eu olho a previsão a todo tempo, para ver que roupa vestir. Sempre levo uma blusa na bolsa, fico preparada. Mas essas mudanças de temperatura mexem com a saúde da gente. Um dia tá trinta graus, no outro venta forte e esfria de repente”. Ela e a filha, que também sofre com alergias, costumam apresentar sintomas como irritação na garganta e coriza. Fernanda prefere o verão por reconhece os desafios que o frio pode trazer. “No verão eu me sinto mais livre, dá vontade de sair, a noite é agradável. No frio eu só quero ficar em casa, quietinha”.
As mudanças na temperatura não tem afetado apenas a saúde. Para quem reside em apartamento, como é o caso da Laura SOBRENOME, até tarefas simples do cotidiano ficam comprometidas. “A roupa não seca, mesmo nos dias que não chove”.
Somando-se às oscilações de temperatura, rajadas de vento também foram registradas na região. Em São Miguel Arcanjo, município da Região Metropolitana de Sorocaba, foi registrado o maior índice de ventania entre sábado (18) e domingo (19), conforme dados da Defesa Civil do Estado de São Paulo. O órgão já havia emitido alerta para temporais, chuvas de moderada a forte intensidade, queda de raios, ventos fortes e até granizo em algumas áreas do estado.
Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE), a instabilidade é consequência do avanço de uma frente fria, intensificada pela umidade vinda da região amazônica. A combinação desses fatores tem provocado condições climáticas mais imprevisíveis e exigido maior atenção da população.
Especialistas recomendam que, diante desse cenário, os moradores fiquem atentos aos avisos meteorológicos, mantenham-se hidratados e adequem suas rotinas às mudanças bruscas de temperatura. Levar uma blusa extra, um guarda-chuva na bolsa e acompanhar a previsão do tempo pode parecer pouco, mas faz diferença em dias em que o clima muda a cada hora.
Médico alerta para cuidados preventivos
As mudanças bruscas de temperatura, como as registradas nesta semana em Sorocaba, Votorantim e Araçoiaba da Serra, não afetam apenas o conforto térmico da população — elas representam um risco real à saúde. De manhãs frias a tardes de calor intenso, a oscilação térmica tem exigido atenção redobrada, principalmente de pessoas com doenças crônicas ou maior sensibilidade às condições climáticas.
Segundo o médico infectologista e de família Dr. Fábio Miranda Junqueira, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, essas variações repentinas impõem um grande desafio ao organismo. “Provocam um estresse no corpo. Nosso organismo precisa se adaptar constantemente, o que sobrecarrega o sistema circulatório e imunológico. As mucosas respiratórias também ficam mais sensíveis, facilitando infecções”, explica. Ele destaca que estudos da revista The Lancet apontam os extremos de temperatura como um dos principais fatores de aumento na mortalidade por causas respiratórias e cardiovasculares no mundo.
Entre os problemas mais comuns em períodos como o atual, Dr. Junqueira cita o aumento de gripes, resfriados, crises de rinite, sinusite e asma. A situação é ainda mais preocupante para quem já convive com doenças crônicas. “A variação térmica exige muito do corpo, especialmente de quem já tem doenças cardiovasculares ou respiratórias. Também vemos casos de desidratação, mesmo em dias frios”, alerta.
O tempo seco, somado à ventania — como a registrada em municípios da região no último fim de semana —, agrava ainda mais o cenário. “O ar seco irrita as mucosas, e os ventos levantam poeira e poluentes, piorando sintomas de quem sofre com rinite e asma. Umidificar o ambiente e manter-se hidratado são medidas simples que fazem diferença”, orienta o médico.
Crianças e idosos estão entre os mais vulneráveis às variações climáticas. Segundo o infectologista, esses grupos possuem menor capacidade de adaptação às mudanças bruscas. “É importante garantir uma boa hidratação, uso de roupas adequadas para cada momento do dia e manter as vacinas em dia, especialmente contra gripe e pneumonias”, recomenda.
O reflexo do clima instável já é percebido também nos atendimentos médicos. Como relatado por profissionais da saúde em Sorocaba, o número de pacientes com sintomas respiratórios tem crescido nas últimas semanas. O médico confirma essa tendência: “Vemos um aumento significativo de atendimentos e internações em períodos de instabilidade climática, tanto por doenças respiratórias quanto por complicações cardiovasculares”. (Lavínia Carvalho - programa de estágio)