Estiagem prolongada é um alerta para despertar para consumo consciente

Represas mantêm bom nível, mas chuvas estão abaixo da média e temperaturas seguem mais elevadas

Por Cruzeiro do Sul

Expectativa é que ocorram chuvas entre o fim de outubro e o início de novembro e, com isso, os níveis dos reservatórios se estabilizem e acabem as queimadas


Sorocaba chega à reta final do período de estiagem com um cenário de chuvas abaixo da média histórica e temperaturas elevadas, o que reforça a importância do consumo consciente de água. Segundo a Defesa Civil do Estado de São Paulo, não foram registradas chuvas entre setembro e a primeira quinzena de outubro, enquanto a média climatológica esperada seria de 67,9 milímetros em setembro e 100,6 milímetros em outubro.

A previsão é de que o retorno das chuvas ocorra entre os dias 15 e 30 de outubro, com a chegada de sistemas meteorológicos vindos do Sul do país e o início do período chuvoso na Região Sudeste. Até lá, a recomendação das autoridades é clara: usar a água com responsabilidade e evitar qualquer tipo de desperdício.

Represas sob controle, mas consumo segue alto

Apesar da seca, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) Sorocaba garante que o abastecimento está dentro da normalidade. Os sistemas Ferraz/Castelinho e Ipaneminha estão operando com 70% e 80% da capacidade, respectivamente, enquanto a represa de Itupararanga, principal manancial da cidade, segue “dentro do previsto”, segundo a autarquia.

O que preocupa, porém, é o comportamento do consumo. Dados do Saae mostram que cada morador de Sorocaba consome, em média, 187 litros de água por dia, bem acima da média nacional, de 155 litros, e muito distante do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontam 110 litros diários como suficientes para atender às necessidades básicas.

Embora não tenha havido aumento significativo no consumo durante os dias mais quentes de outubro, o Saae lembra que o maior volume de gasto ocorre entre janeiro e março, período de verão, quando o uso tende a crescer em função do calor e das férias escolares.

“O consumo consciente da água é fundamental, sempre, para a preservação dos mananciais hídricos do município, independentemente da época do ano”, reforça a autarquia.

Campanhas de conscientização e educação ambiental

Para incentivar mudanças de hábito, o Saae mantém uma série de programas e campanhas educativas. A autarquia distribui o folheto “Economia de Água: um Banho de Inteligência”, com orientações simples que fazem diferença no dia a dia: fechar bem as torneiras; reduzir o tempo de banho; evitar lavar calçadas e carros com mangueira; molhar plantas no início da manhã ou ao entardecer e verificar e consertar vazamentos.

Essas ações também são reforçadas por ferramentas práticas, como a Calculadora de Consumo de Água, disponível no site da autarquia, que permite ao cidadão acompanhar seu uso mensal.

Além disso, dois programas permanentes integram a estratégia de educação ambiental: o “Água Viva”, que leva estudantes e entidades à Estação de Tratamento de Água (ETA Cerrado), e o “Revivágua”, que promove visitas monitoradas à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE-S1), mostrando o caminho da água e a importância da preservação dos rios.

Estiagem e queimadas: um problema que vai além da falta de chuva

A estiagem prolongada também tem impactos diretos no meio ambiente urbano e rural. A falta de umidade e o calor intenso aumentam o risco de queimadas, que, além de degradarem o solo, afetam a qualidade do ar e agravam problemas respiratórios, especialmente entre crianças e idosos.

Para enfrentar o problema, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), lançou em julho a Campanha de Prevenção e Combate às Queimadas 2025, no Jardim Botânico “Irmãos Villas-Bôas”. A iniciativa faz parte de um conjunto de ações de educação ambiental, que inclui o projeto “Minuto Ambiental”, veiculado em rádios locais com spots sobre reciclagem, consumo consciente, mudanças climáticas e prevenção de queimadas.

O monitoramento e o combate aos incêndios ficam a cargo do Corpo de Bombeiros, com apoio da Defesa Civil, que permanece em estado de atenção durante o período seco.

Mudança de cultura e responsabilidade coletiva

Mesmo com os reservatórios em níveis considerados satisfatórios, especialistas alertam que a falsa sensação de segurança pode levar à negligência. O desafio vai além da infraestrutura hídrica: é cultural e comportamental.

A média de 187 litros diários por pessoa mostra que o desperdício ainda faz parte da rotina de muitos moradores, e o combate a esse hábito exige educação ambiental constante e engajamento comunitário.

“O fim da estiagem não significa o fim da responsabilidade. A água é um recurso finito, e a preservação dos mananciais depende das escolhas diárias de cada cidadão”, resume a nota do Saae.

Esperança com o retorno das chuvas

Com a expectativa de chuvas mais frequentes entre o fim de outubro e o início de novembro, a tendência é que os níveis dos reservatórios se estabilizem. No entanto, as autoridades reforçam que a conscientização deve permanecer durante todo o ano.

O período seco de 2025 lembra uma lição antiga, mas urgente: a escassez pode ser evitada se o consumo for inteligente. E, em Sorocaba, onde a média de uso ainda é alta, a água precisa ser tratada como o bem mais precioso da cidade. (João Frizo - programa de estágio)