Reunião sobre acidentes no trabalho reúne representantes do setor da construção civil

Pelo menos dez mortes por queda foram registradas apenas neste ano, na cidade

Por Da Redação

Pelo menos dez mortes por queda foram registradas apenas neste ano, na cidade

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) - Regional Sorocaba, em conjunto com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP) realizaram uma reunião na manhã de ontem (16) para debater possíveis formas de reduzir acidentes de trabalho em obras da construção civil. Participaram também representantes do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e do Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP).

Entre os assuntos discutidos haviam os atestados médicos falsos; obras sem engenheiro responsável; falta de profissionais qualificados e, uso de equipamentos inadequados. O chefe regional de Fiscalização do MTE, Ubiratan Vieira, diz que o aumento na quantidade de obras na cidade pode ser um dos fatores para que os acidentes ocorram com tanta frequência. “Há 119 obras ativas em Sorocaba no momento. Comparando com as 40 do ano passado, é claro que o número de acidentes vai aumentar”. Ainda de acordo com ele, houve mais de mil denúncias ligadas a irregularidades neste ano. “15 obras já foram embargadas, normalmente eram no maxímo cinco. Isso não é normal”.

O gerente regional do Crea, Rafael Janeiro, complementa: “a gente enxerga esse crescimento na construção civil, essa dificuldade em contratar profissionais e uma equipe com conhecimento técnico”.

Houve um aumento de 15% nas fiscalizações do Conselho, essa intensificação ocorre justamente por conta do aumento de obras na região. “Mas estamos atuando em campo para minimizar os riscos à sociedade”. A gerente da regional Sorocaba do Seconci-SP, Ester Gonçalves, fala que para evitar acidentes futuros, é necessário “fazer alguma qualificação para os empreiteiros, para que eles possam saber identificar irregularidades nas obras”.

Ela também ressalta a importância do Atestado de Saúde Ocupacional (ASO), para que os próprios trabalhadores possam conhecer suas limitações. “Há pessoas que descrevem fobia de altura, então é adicionado no atestado se ela está apta para determinado serviço ou não”.

No geral, os presentes expuseram várias maneiras para que esse tipo de eventualidade seja evitada. A sugestão do chefe regional de Fiscalização do MTE, Ubiratan Vieira, é que todas as empresas deveriam participar de capacitações, tanto as organizações quanto os trabalhadores. Já o diretor adjunto da Regional Sorocaba do SindusCon-SP, Renan Pérsio, aponta que também deve ser feita uma mudança na questão cultural das empreiteiras: “quem tem obra e quer contratar uma empresa, deve procurar saber mais. É algo preocupante para a cidade. Sorocaba tem que aparecer na mídia, mas não desse jeito”.