Família Acolhedora precisa de mais lares
Programa em Sorocaba oferece cuidado temporário a crianças afastadas de suas famílias por medida protetiva
Desde 2022, a Secretaria da Cidadania (Secid) de Sorocaba, em parceria com a Vara da Infância e Juventude, mantém o programa Família Acolhedora, que oferece proteção temporária a crianças e adolescentes afastados de seus lares por decisão judicial. O objetivo é garantir um ambiente seguro e afetivo até que os vínculos familiares sejam restabelecidos ou determinada uma nova medida de proteção.
Apesar da importância da iniciativa, a demanda é muito maior do que a oferta: em agosto de 2025 havia 139 crianças aguardando acolhimento, enquanto apenas 22 famílias estavam habilitadas e só quatro delas recebiam crianças naquele momento.
A promotora de Justiça Cristina Palma, da Vara da Infância e Juventude, destaca os impactos positivos do acolhimento familiar, uma alternativa ao abrigo institucional. “O programa cria uma ponte de afeto. Em vez de irem para instituições, elas [se referindo às crianças] são recebidas em lares que oferecem atenção e carinho. Mas precisamos de mais famílias dispostas a abrir suas portas e seus corações”, comenta.
O serviço é executado por duas equipes: uma da própria Prefeitura de Sorocaba e outra da Casa Bela, instituição parceira. O acolhimento não é adoção, mas uma forma de cuidado temporário. O tempo de permanência varia conforme o caso: recém-nascidos podem ficar por alguns meses, enquanto outras crianças permanecem por mais tempo até a situação familiar ser resolvida.
Para participar, é preciso: morar em Sorocaba há pelo menos um ano; ter mais de 21 anos; não estar em processo de adoção. As famílias recebem bolsa-auxílio de um salário-mínimo — R$ 1.518 — por criança acolhida, além de capacitação, acompanhamento e apoio técnico.
“O afeto cura”
Uma das famílias participantes, cuja identidade será preservada, conta como o acolhimento mudou sua vida. “É uma sensação inimaginável de amor e cuidado. Aprendi a importância de manter irmãos juntos. Cada gesto cria um vínculo. Lembro de uma criança que gostava de receber tapinhas nas costas ao ser abraçada. O afeto realmente cura”, relata a mulher.
A coordenadora de Desenvolvimento Social da Secretaria da Cidadania, Ana Lúcia de Paula Batista, reforça que o programa traz benefícios tanto para as crianças quanto para quem acolhe. “É um gesto que muda o futuro delas e também o das famílias acolhedoras.”
Ela relembra um caso comovente de duas adolescentes que passaram o Natal acolhidas. “Foram recebidas com uma ceia e presentes. Mais tarde, ao voltarem a viver com o pai, repetiram o mesmo jantar com ele. O amor deixa marcas profundas.”
O programa precisa, urgentemente, de mais famílias participantes. Os interessados podem procurar a sede do Família Acolhedora, na avenida Armando Salles de Oliveira, 241, Trujillo, de segunda a sexta, das 8h às 17h, ou entrar em contato pelos telefones: (15) 99101-4772 e (15) 3202-5779.