Primavera aumenta circulação de abelhas e exige cuidados redobrados

Na estação das flores, cresce o número de enxames e também os casos de acidentes

Por Thaís Marcolino

EPI, usado por apicultores como Edson Xavier é o ideal para evitar acidentes

A primavera não é apenas a estação das flores. O período também é marcado pelo aumento da circulação de abelhas, devido à reprodução para a produção de mel — processo chamado de enxameação. Isso eleva o risco de acidentes tanto em áreas rurais quanto urbanas. O caso mais recente de ataque na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) ocorreu em Itapetininga, no dia 19 de setembro: um idoso morreu e outras 11 pessoas ficaram feridas.

De acordo com o presidente da Cooperativa de Apicultores de Sorocaba e Região (Coapis), Edson Xavier, nesse período migratório as abelhas podem alcançar voos de até 15 quilômetros de distância. No geral, como a maioria está de passagem, elas não são tão agressivas — mas, ainda assim, é preciso tomar alguns cuidados. “O recomendado é não se aproximar e deixar que elas sigam o curso”, orienta.

Caso haja percepção de perigo ao avistar um enxame, o especialista recomenda isolar a área e evitar permanecer próximo. É imprescindível acionar as autoridades competentes — setor de segurança do município, Zoonoses, Corpo de Bombeiros ou um apicultor — para realizar a retirada com segurança.

O que não deve ser feito, embora seja uma reação automática de muitas pessoas, é abanar ou tentar espantar as abelhas. “Quando você bate em uma abelha, ela entende como um ato de agressividade e, se for morta, libera um cheiro que serve como alerta para as outras. É nesse momento que o número de abelhas aumenta”, explica Edson.

O apicultor acrescenta que as abelhas tendem a atacar regiões sensíveis do corpo, como olhos, boca e nariz.

Se o ataque ocorrer, a primeira orientação é afastar-se do local com maior concentração de insetos. “Infelizmente, quando há o ataque, o número de abelhas costuma ser muito grande. Para se proteger, o ideal é usar EPI — roupa similar à dos apicultores. Como poucas pessoas têm acesso, recomenda-se cobrir o corpo com cobertores ou peças que impeçam o contato direto com o ferrão”, orienta o presidente da Coapis.

Apesar dos riscos, as abelhas são fundamentais para o equilíbrio ambiental e para a agricultura, já que são responsáveis pela polinização de grande parte das plantas. “As abelhas cumprem um papel essencial no meio ambiente. Precisamos respeitá-las e aprender a conviver com elas de forma segura. Quando houver risco, a população deve procurar ajuda especializada — nunca agir sozinha”, reforça Edson.

Acidentes

Somente em 2025, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo (SES-SP) recebeu 3.697 notificações de acidentes com abelhas. O número de mortes é de seis, o que representa taxa de letalidade de 0,16%, segundo dados do Núcleo de Informações Estratégicas de Saúde (Nies), do Governo do Estado.

Ainda conforme o Nies, a cabeça é a parte do corpo mais atingida, com 39% dos casos. Em seguida vêm mão (16%), braço (10%), tronco (9%), pé (7%), dedo da mão (3%), perna (3%), antebraço (3%), coxa (1%) e dedo do pé (0,73%). A faixa etária com maior número de notificações é de 20 a 29 anos, com 22% dos casos.

Enxameação

A enxameação é a reprodução natural de uma colmeia, na qual um novo enxame, incluindo a rainha antiga, parte em busca de um novo local para formar outra colônia. O processo é desencadeado por fatores como o excesso de abelhas e a falta de espaço na colmeia, o que leva à construção de realeiras (células para novas rainhas) e ao surgimento de uma nova rainha.

Após o nascimento da primeira nova rainha, a antiga deixa a colmeia acompanhada de cerca de metade da população, em busca de outro local para se estabelecer. Durante o deslocamento, que pode chegar de 12 a 15 quilômetros, as abelhas podem pousar em diversos lugares, geralmente árvores e parques, mas também áreas urbanas, como estacionamentos ou arredores de supermercados.

O lado doce

No campo, a primavera também marca o início da safra de mel. Com a abundância de flores, os apicultores iniciam a coleta, que exige equipamentos de proteção individual e técnicas específicas, como o uso de fumaça para acalmar as colônias.

Segundo Edson Xavier, apenas o excedente é retirado. “Dentro da colmeia, existe uma parte destinada à alimentação das próprias abelhas, e essa não é tocada. O que sobra chamamos de melgueira, e é o que colhemos. Depois, o produto passa por processos de qualidade nas cooperativas antes de chegar ao consumidor”, explica.

O mel mais comum é o silvestre, oriundo da mata nativa, mas há também variedades específicas, como o de eucalipto e o de laranja, dependendo da florada predominante. “A primavera é a época mais rica para a produção, mas algumas floradas se estendem até março ou abril”, complementa.

Para saber mais sobre a produção de mel e o cultivo de abelhas, o contato da Cooperativa de Apicultores de Sorocaba e Região (Coapis) é (15) 3234-5036.