Cooperativa recebe poucos materiais
Com o trabalho de muitos braços, as cooperativas de coleta seletiva são essenciais. Afinal, sem elas, a quantidade de resíduos não reaproveitados no município seria muito maior. No entanto, ao menos uma delas, a Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba (Coreso), enfrenta o desafio de obter material. Nos últimos três meses, a quantidade caiu pela metade.
De acordo com Bruna Martins Ferreira, tesoureira da Coreso, a cooperativa coletava cerca de 100 toneladas de material por mês. Hoje, esse número está entre 50 e 60 toneladas. Ela explica que o volume varia conforme a época do ano. Além disso, os catadores que não são credenciados, muitas vezes, passam antes e recolhem o material.
“Estamos com baixa de material. Algum tempo atrás, o papelão estaria quase no teto; hoje estamos sem papelão para fazer a prensa. Quando chega o Dia dos Pais, por exemplo, aumenta a quantidade de materiais; na festa junina, vem bastante potinho; então depende muito da época. Quando tem feriado prolongado, vem bastante latinha. Junta um pouco de tudo, mas geralmente, no final do ano, aumenta o material.”
A Coreso conta com 55 pessoas. A maioria dos trabalhadores é formada por mulheres, pessoas com mais de 60 anos e imigrantes, principalmente haitianos. É da cooperativa que muitos conseguem garantir o sustento da família. No entanto, como os valores arrecadados no mês são divididos após o pagamento das despesas da Coreso, há períodos de baixa em que não é possível receber um salário mínimo (R$ 1.518).
Para Márcia Regina Rodrigues, coordenadora e cooperada há dois anos, os trabalhadores deveriam ter mais valorização. “Sei da importância de termos esses núcleos, porque, se não fosse por eles, os materiais estariam no meio ambiente e, por outro lado, geramos emprego e renda. Mas a maior dificuldade hoje é justamente essa: a baixa de material, que fez os valores caírem bastante. A prefeitura nos ajuda com os caminhões e combustível, mas sempre ficamos nessa incerteza.”
Bruna ressalta que, do valor que recebem, os cooperados também precisam retirar do próprio bolso o pagamento do INSS e do passe de ônibus. Para ela, um salário fixo seria uma alternativa para reduzir a instabilidade.
“Isso não é lixo, é dinheiro. Famílias são sustentadas por isso. A nossa vontade era ter um barracão maior, mas sempre batemos na tecla de que deveríamos ser pagos pelo serviço. Pelo menos o mínimo eles teriam. Hoje, estamos chegando a um salário mínimo e, às vezes, nem isso. E ainda precisam tirar do valor o custo do ônibus. São R$ 200 por mês para vir trabalhar”, relata.
Duas unidades
A Coreso atua há 25 anos em Sorocaba e possui duas unidades: uma na Vila Colorau, na zona leste, e outra no Parque Vitória Régia, na zona norte. O município também conta com o trabalho da Cooperativa de Egressos Familiares (Copereso), e a coleta é dividida por regiões. A Coreso, por exemplo, atende as zonas norte, leste e oeste da cidade. O trabalho é realizado de segunda a sexta-feira, em alguns locais semanalmente e em outros de forma quinzenal, dependendo da quantidade de material.
Para isso, a prefeitura disponibiliza cinco caminhões, com motoristas. O combustível também é fornecido pela administração pública.
A população pode deixar o material diretamente em uma das unidades, de segunda a sexta-feira, das 7h às 16h. Na Vila Colorau, o material pode ser deixado 24 horas, em um espaço chamado ecoponto. O endereço é rua Encarnação Rando Castellucci, 70.
Importância
A Prefeitura de Sorocaba diz que reconhece o papel fundamental das cooperativas na proteção do meio ambiente e na geração de renda para muitos sorocabanos. Destacou ainda que a queda do preço do material reciclado não se restringe a uma situação local, mas é verificada também no cenário nacional, o que reforça a necessidade urgente de políticas públicas para o setor.
A administração pública também ressalta que oferece apoio por meio de acordo de cooperação para a coleta seletiva no município. Com isso, a cooperativa realiza os serviços de coleta no sistema porta a porta, triagem e comercialização dos resíduos passíveis de reciclagem. Já a prefeitura cede caminhões (com motorista), barracões, paleteiras, prensas e esteira para triagem.
Além disso, teve início em Sorocaba o programa Integra Resíduos, do governo estadual. Nesta semana, equipe da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), junto com técnicos da Sema, acompanhou os serviços de coleta de resíduos, incluindo a seletiva, para analisar a situação local.
A iniciativa estadual busca modernizar a gestão de resíduos sólidos por meio de arranjos regionais, “com soluções economicamente viáveis para os municípios, envolvendo desde o planejamento até a atração de investidores e a inclusão de catadores como parte essencial do processo”.