Congresso reúne médicos e levanta debates sobre endometriose

Um dos principais objetivos do encontro é discutir alternativas mais rápidas para o diagnóstico da endometriose

Por Beatriz Falcão

Para tratar do assunto, ao longo do congresso, foram realizadas 23 palestras com 26 especialistas da área

Quando o assunto é endometriose, o Brasil possui um atraso de 7 anos em relação aos diagnósticos. Essa afirmação é do ginecologista Bruno Bonilha. Diante dessa realidade, ao longo deste sábado (13), cerca de 130 médicos de todo o Estado de São Paulo e estudantes de cursos de medicina de Sorocaba participaram do Vivaendo - Congresso Médico de Endometriose e Ginecologia, com o objetivo de discutir a respeito dessa doença, que afeta a saúde da mulher.

De acordo com Bonilha, esse retardo no diagnóstico acontece pela falta de informação. Os primeiros sinais de endometriose aparecem, na maioria dos casos, após a primeira menstruação, com cólicas mais fortes do que o normal. Contudo, muitos consideram a situação normal e tratam das dores com o uso de anticoncepcional, não realizando os exames necessários.

“Portanto, o principal objetivo desse encontro é passar informações para os profissionais da saúde e tentar corrigir um pouco esse cenário, porque endometriose é muito sério. Além das dores, que podem aparecer em todo o corpo, desde os membros inferiores até no abdômen, a mulher também perde a fertilidade, não pode gerar um filho”, explica o ginecologista, que também é idealizador do Vivaendo.

Para tratar do assunto, ao longo do congresso, foram realizadas 23 palestras com 26 especialistas da área, além de outras atividades, como sessões de videoaulas cirúrgicas comentadas, mesa-redonda e momentos de networking. Entre os médicos convidados, estavam a ginecologista Jordanna Diniz, do Distrito Federal, Nucélio Lemos, do Canadá, e Dr. João Armani e Dr. Fernando Benedetti, ambos de Sorocaba.

Bonilha ainda destacou a tecnologia utilizada nos exames, que está entre os temas abordados no encontro. Segundo ele, profissionais já utilizam inteligência artificial em diagnósticos e, inclusive, consideram uma grande aliada.

“Antes, o médico precisava operar a paciente para entender se tinha endometriose ou não. Hoje, com a tecnologia, fazemos um ultrassom avançado. Apesar de serem procedimentos ainda custosos, estão ao nosso alcance. Então, a tecnologia auxilia no combate à doença e está sendo muito bem-vinda”, destaca o médico.

Mas afinal, o que é a endometriose?

A endometriose é uma doença crônica caracterizada pelo crescimento de um tecido semelhante ao endométrio — a camada que reveste o útero — em locais fora dele. Essas lesões surgem principalmente na região pélvica e abdominal, mas também podem afetar órgãos como ovários, bexiga e intestino.

Conforme dados do Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem registrado um aumento significativo nos diagnósticos de endometriose na atenção primária. Em três anos, com base nos dados de 2022 a 2024, o crescimento foi de aproximadamente 76,24%, refletindo uma ampliação da demanda nos serviços de saúde.

“A endometriose se comporta como se fosse um câncer, mas é uma doença benigna. O sofrimento continua o tempo todo e vai se agravando ao longo da vida. Portanto, o principal objetivo dos médicos que estão aqui é chegar no aprimoramento do atendimento na saúde das mulheres”, finaliza Bonilha.