Monumentos seguem abandonados em Sorocaba
Pichações, placas ausentes e sujeira marcam locais históricos da cidade
Em fevereiro deste ano, o Cruzeiro do Sul denunciou o estado de abandono de monumentos e espaços históricos de Sorocaba, como praças, pontes e esculturas que ajudam a contar a história da cidade. A matéria, publicada no dia 4 daquele mês, gerou repercussão e levou a Prefeitura a prometer medidas de recuperação e manutenção dos locais degradados. À época, o poder público reconheceu os problemas e afirmou que providências seriam tomadas.
Quase quatro meses depois, a reportagem voltou aos mesmos pontos para verificar se algo havia mudado. O que encontrou, no entanto, foi um cenário quase inalterado - em alguns casos, até pior. Placas de identificação continuam ausentes, pichações seguem espalhadas por monumentos históricos e sinais de degradação indicam que a promessa de revitalização ainda não saiu do papel.
A memória em ruínas
Espalhados por praças, pontes e espaços públicos da cidade, os monumentos de Sorocaba são testemunhos da história local. Contam episódios ligados à religiosidade, à presença militar, à biodiversidade e aos tropeiros ù elementos centrais da formação do município. Mas a forma como estão sendo tratados revela uma negligência contínua.
A Praça Sílvio Soares, por exemplo, abriga a estátua de Dom José Carlos de Aguirre, primeiro bispo de Sorocaba, nome fundamental da história da Igreja Católica na cidade. Na visita feita em fevereiro, já havia sinais de deterioração e ausência de identificação. Quase quatro meses depois, nada foi resolvido: a estátua continua sem placa oficial, a base exibe pichações e um pedaço da antiga identificação segue pendurado, balançando com o vento - possível alvo de vandalismo ou roubo.
Espaços degradados, promessas esquecidas
A Praça Frei Baraúna, localizada no centro da cidade, é outro símbolo negligenciado. Em fevereiro, o Cruzeiro do Sul apontou a presença de placas pichadas e pisos quebrados. Nesta nova visita, os problemas persistem. A calçada apresenta vegetação crescendo entre rachaduras, e nenhuma ação de reparo ou limpeza foi identificada. “Essa praça tinha tudo para ser um cartão-postal. Hoje parece esquecida”, comentou uma moradora da região, que preferiu não se identificar.
Na Praça do Canhão, onde estão instalados armamentos históricos - símbolos militares e memória do passado bélico de Sorocaba -, os danos são ainda mais visíveis. Os canhões continuam pichados e duas placas de identificação seguem ausentes, dificultando a compreensão histórica do local por parte dos visitantes. Em fevereiro, esse estado já havia sido denunciado. Agora, a única mudança é o acúmulo de novas pichações.
Pontes históricas
As pontes da cidade também foram alvo da reportagem anterior. A Ponte Pinga-Pinga, embora apresente apenas uma pichação em sua estrutura, está cercada por placas vandalizadas. A situação permanece idêntica à de fevereiro. Já a Ponte Francisco Dell’Osso, uma das poucas exceções positivas, mostra-se em condição relativamente melhor. Apesar da sujeira, o local tem poucas pichações e aparenta estar conservado.
Praça dos Tropeiros
A única praça que apresentou melhorias desde fevereiro foi a Praça dos Tropeiros. O espaço passou por reforma e, atualmente, está limpo, bem organizado, com vegetação cuidada e sem pichações. As placas estão preservadas, e o ambiente transmite a sensação de respeito à história dos tropeiros, tão importantes para a formação de Sorocaba.
O que foi prometido e o que (não) foi feito
Em fevereiro, a Prefeitura se comprometeu publicamente a restaurar as placas de identificação, intensificar a manutenção dos monumentos e recuperar os espaços afetados. Entretanto, ao visitar os mesmos locais quatro meses depois, a reportagem constatou que a maioria dessas promessas não saiu do papel. A ausência de placas compromete não apenas a preservação, mas também o acesso à informação.
O que diz a Prefeitura
A Prefeitura de Sorocaba informa que uma empresa foi contratada para a troca de placas dos monumentos históricos. Informa também que os serviços de limpeza e manutenção são feitos regularmente e que a Guarda Civil Municipal (GCM) realiza patrulhamento diário nos próprios e espaços públicos. O monitoramento também é feito por meio de câmeras que operam 24 horas e estão espalhadas pela cidade. A população também pode ajudar as autoridades entrando em contato pelos telefones 153, da GCM, e 190, da Polícia Militar.
João Frizo - programa de estágio