Para combater a doença, ajuda da população é fundamental
A propagação da dengue tem relação com o comportamento das pessoas. O mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, se reproduz, principalmente, em água parada. Mesmo sabendo disso, muita gente não tem o cuidado de eliminar constantemente os criadouros do inseto. Com isso, o índice larvário se mantém alto e as contaminações também. Por outro lado, sorocabanos que entendem a gravidade da doença fazem questão de seguir, em suas casas, todas as medidas recomendadas por órgãos sanitários.
A costureira Ana Lúcia Romão, 62 anos, sempre cumpriu as recomendações. Mas, após contrair dengue, reforçou os cuidados. Ela conta que o seu quadro foi grave, com a maioria dos sintomas conhecidos. Durante sete dias, mal conseguiu levantar da cama. “Eu quase morri”, lembra. Mesmo após curada, sequelas permaneceram. “Fiquei fragilizada e 14 dias de atestado, afastada da empresa, porque não aguentava nem andar.”
Conhecendo como a arbovirose é transmitida, ela colocou todos os vasos de plantas para fora de casa. Frequentemente, observa se há água e coloca areia nos pratos de todos eles. Além disso, observa regularmente se não há nada dentro da residência propício para a procriação das larvas do mosquito. Também higieniza ralos com água sanitária e não passa perto de lugares com mato alto. O repelente passou a ser um aliado diário para qualquer situação.
De acordo com a Ana, assim como ela, toda a população precisa fazer a sua parte, porque a prevenção à dengue é uma questão de saúde coletiva. A munícipe diz que quem não mantém o seu ambiente sempre limpo gera riscos de ser infectado, tanto para si mesmo quanto para os outros. Isso porque o mosquito não permanece apenas em um local e pode picar pessoas que tomam as cautelas. “Se todo mundo se unir, [a dengue] não vai deixar de existir, mas vai diminuir bastante”, pontua.
O aposentado Jorge Vicente Luz, 73, também defende a importância da colaboração de todos. Contaminado uma vez, ele sabe o quanto a doença é ruim. Para não ser afetado novamente, cumpre, com afinco, cada uma das medidas recomendadas — e espera que os outros façam o mesmo. “Todo mundo deve ter essa consciência para evitar uma epidemia”, afirma.
Já a diarista Maria de Fátima Cruz, 65, acredita nunca ter sido infectada por ser bastante prudente. Mesmo assim, se sente exposta e teme adoecer, pois nem todos ao redor seguem o seu exemplo. “Tem gente que suja a rua e não limpa. Eu acabo tendo de limpar a frente da minha casa, cato os copos que jogam”, conta. (Vinicius Camargo)