Doação de órgãos é fundamental para salvar vidas e também um ato de amor

Por Cruzeiro do Sul

Até setembro deste ano, foram realizados 6.229 transplantes no Estado de São Paulo, mas há 24.564 pessoas na fila

A doação de órgãos é um tema que merece atenção, especialmente considerando que, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em 2024, até setembro, cerca de 24.564 pessoas estavam na lista de espera por um transplante no Estado. No período, apenas 6.229 transplantes foram realizados, evidenciando a necessidade de ampliar a conscientização sobre o assunto. A falta de doadores contribui para que milhares de pacientes não recebam o tratamento necessário, levando à urgência em promover campanhas de sensibilização e engajamento da sociedade.

O médico Renato Hidalgo, cirurgião digestivo e especialista em transplantes de fígado, explica que a doação de órgãos é fundamental para salvar vidas. “É uma oportunidade única! Para aqueles que estão indecisos, é importante lembrar que a doação é a única chance de sobrevivência para muitas pessoas”, enfatizou o especialista. Ele destacou, no entanto, a dificuldade de abordar o tema, afirmando que “geralmente falamos sobre isso em um momento delicado, como a perda de um ente querido”.

Como funciona

O processo de doação se inicia após a constatação da morte encefálica, quando o cérebro para de funcionar completamente. Nesse momento, a equipe médica confirma que não há possibilidade de recuperação e consulta os familiares sobre o desejo de doar os órgãos do paciente.

Os critérios para a doação incluem estar em boas condições de saúde e não ter falecido em decorrência de infecções generalizadas ou determinados tipos de câncer que podem restringir o uso dos órgãos. Renato Hidalgo reforça a importância de comunicar o desejo de ser doador em vida. “A doação de órgãos é um ato de amor. É uma forma de transmitir esse sentimento e manter outras pessoas vivas, permitindo que elas continuem a desfrutar da alegria de viver”, disse o médico.

No Brasil, há dois modelos para manifestar o desejo de doação: o primeiro envolve informar os familiares diretamente. O segundo permite o registro formal em cartório, por meio do site ou aplicativo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Esse registro só é válido com a assinatura de um familiar, que deve consentir com a decisão no momento da morte.

Fila de espera

A consulta à fila de espera para transplante está disponível no site www.saude.sp.gov.br. Para acessar, é preciso inserir o Registro Geral da Central de Transplantes. A ferramenta disponibilizada no aplicativo do Poupatempo visa facilitar, agilizar e dar transparência ao processo de transplante de órgãos, permitindo que os pacientes acompanhem de forma intuitiva e prática o andamento de seu cadastro e atualizações. (Murilo Aguiar - programa de estágio)