Conheça os bastidores do zoo, que faz 56 anos

Veterinários, biólogos e tratadores são responsáveis pela alimentação e bem-estar dos animais

Por Vinicius Camargo

Funcionários que limpam os recintos dos felinos seguem protocolos de segurança

Os visitantes do Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros geralmente não veem, mas nos bastidores há funcionários capacitados para garantir o funcionamento de tudo e a qualidade de vida dos animais. São veterinários, biólogos, tratadores, zootecnistas e outros profissionais. Em comemoração aos 56 anos do zoo, celebrados hoje (20), o Cruzeiro do Sul visitou o parque para mostrar um pouco do trabalho dessas pessoas.

André Costa, de 48 anos, é veterinário no Quinzinho há dez anos. Segundo ele, a atuação da sua equipe é mais preventiva do que curativa. Por isso, os médicos monitoram os bichos diariamente e fazem exames frequentes (de sangue, fezes e outros). A equipe cuida até mesmo dos dentes e bicos dos animais. “Inclusive, as aves também fazem tratamento odontológico. Consideramos o bico também como um aparelho bucal e avaliamos a condição de crescimento excessivo, do corte adequado, para que o animal consiga aprender a comer”, exemplifica. Os papéis desses profissionais ainda englobam monitorar os novos moradores do local durante o período de quarentena e estimular a reprodução.

Todos os animais recebem a mesma atenção, incluindo aranhas, escorpiões e sapos. De acordo com Costa, no caso das aranhas, por exemplo, se o recinto fica ressecado, elas não conseguem trocar de pele. Para ajudá-las nesse processo, os profissionais as hidratam com soro fisiológico.

Biólogos

Como o trabalho é multidisciplinar, veterinários contam sempre com o apoio de biólogos. Luana Longon Roca, de 39 anos, desempenha essa função no setor de aves há 11 anos. Junto aos colegas, ela realiza rondas diárias nas jaulas, nas quais observa se os puleiros estão adequados e se a comida está no lugar certo. Também confirma, no setor de nutrição, se a alimentação foi preparada corretamente; marca os pássaros com anilhas e microchips, para identificá-los e acompanhá-los individualmente; coordena as ações dos tratadores; examina a ambientação do recinto e o comportamento dos bichos; cuida dos filhotes; faz o enriquecimento ambiental e o condicionamento (uso de técnicas para o animal permitir ser manejado), dentre outras tarefas.

Quando a incubação dos ovos é artificial, Luana também assume o papel de “mãe”. Ela inspeciona os ovos na chocadeira e assiste os filhotes após o nascimento. Os “recém-nascidos” ganham até um tipo de papinha na boca, com uma seringa. “Os biólogos são encarregados do bem-estar, uma coisa bem importante”, resume ela. A funcionária ainda responde pelo controle do plantel, informando nascimentos, mortes, chegadas e transferências aos governos estadual e federal.

De acordo com Luana, essas funções são semelhantes às dos médicos, mas não exatamente as mesmas. Embora os dois profissionais atuem juntos, a equipe veterinária foca na parte de saúde. “O veterinário pega o animal para fazer check-up, tirar raio-x, coleta sangue, medica, faz os tratamentos, todo o protocolo (de atendimento)”, esclarece.

Tratadores

Os tratadores são essenciais — e não só para fornecer alimento. Eles checam se a cozinha enviou a refeição certa para cada espécie e se certificam de colocá-la nos devidos lugares. Eles limpam as jaulas, participam da ambientação desses espaços, deixando os animais mais próximos do habitat natural. São os “olhos” da equipe técnica, pois durante o trato verificam possíveis sinais de problemas de saúde. Se identificam algum comportamento inadequado, como má alimentação e fragilidade, comunicam os veterinários e biólogos.

Líder dos tratadores, Aparecida Nazareth Correa, de 53 anos, está no Quinzinho há um ano e meio. Com mais um colega, ela coordena uma equipe de 32 profissionais. Eles se dividem e cada grupo atende a espécies específicas. A principal atribuição de Cida, como é chamada, é garantir que todos façam o serviço de maneira adequada, como no cumprimento dos protocolos de segurança.

Conforme Aparecida, as “moradas” dos bichos maiores são higienizadas de manhã, quando eles dormem e ficam presos. No caso dos menores, os trabalhadores executam a tarefa com eles dentro, mas com muita cautela. “Não queremos nos machucar nem estressar o bicho e acabar causando algum acidente”, diz.

Zootecnistas

Veterinários, biólogos e tratadores avaliam se está tudo certo com as refeições. Mas, e quem as produz? São os zootecnistas. Juliana Guimarães Matzembacher, de 38 anos, é uma delas. Atuante no local há um ano, ela conta que são servidos cerca de 700 a 750 quilos de alimentos por dia. Para dar conta da demanda, há uma equipe de sete pessoas. A preparação começa às 6h e a distribuição, às 8h.

O estoque é reabastecido semanalmente, com produtos de frigoríficos e de centros de distribuição comuns. Existe até mesmo padrão de qualidade para aprovação de tudo. “O critério tem de que ser assim: ‘Se eu consumiria, o animal também consome’”, comenta Juliana. Os itens são variados — carnes, frutas, rações, vegetais, dentre outros. Algumas aves, por exemplo, também comem itens especiais, como camarão, castanha do Pará e pinhão.

Por mês, o zoo utiliza 1,7 tonelada de carnes e 600 kg de apenas um tipo de ração. Quanto a alimentos de hortifrútis, o consumo semanal varia entre 1,6 e 1,7 tonelada. As dietas são adaptadas para cada espécie, considerando as suas especificidades. Segundo Juliana, é primordial fornecer todos os nutrientes necessários para a manutenção da saúde do animal. “Levamos em consideração o status fisiológico, que é a fase da vida que ele se encontra, se está amamentando, o tamanho do recinto, a interação dele com o alimento e os outros animais do grupo, temos de pensar em tudo isso”, informa.

Inauguração foi em 1968

O Zoológico de Sorocaba foi fundado em 20 de outubro de 1968. É considerado um dos mais completos da América Latina e cartão postal da cidade. O parque municipal abriga cerca de mil animais, de 250 espécies. A área é de 150 mil metros quadrados, incluindo um lago de 17 mil m2 e 36 mil m2 de vegetação da Mata Atlântica. Além de um espaço de lazer, a equipe do Quinzinho atua na conservação de espécies (incluindo algumas ameaçadas de extinção), pesquisa e educação ambiental.