Chuvas fracas não dão alívio para a agricultura

Produtores rurais de Sorocaba e municípios da região estimam perdas neste ano devido à seca que se tornou prolongada

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Agricultores têm gastos maiores com irrigação para garantir a umidade do solo

Apesar das chuvas que caíram nas últimas semanas em Sorocaba e região, os agricultores ainda enfrentam dificuldades para recuperar suas lavouras. Após um longo período de seca, a precipitação foi insuficiente para trazer alívio significativo ao solo, deixando os produtores rurais em alerta.

Pedro Paifer, agricultor que cultiva hortaliças no bairro Caguaçu, em Sorocaba, explica que as chuvas recentes, embora bem-vindas, chegaram tarde e em pouco volume. “A quantidade de chuva foi insuficiente para trazer um alívio ao agricultor, até mesmo para a garantia de novas plantas, porque ainda fica uma insegurança: pouca chuva para muito tempo de seca, ainda não foi suficiente para molhar a terra para o plantio”, diz.

O agricultor ressalta que a seca e a chuva escassa não são fatores recentes, e sim de alguns anos, cada ano diminuindo mais os milímetros nesta época. “Então, nós estamos com falta de água. Os açudes, a irrigação têm que ser limitada, senão compromete o açude, compromete a flora e a fauna. Então, nós estamos sofrendo com essas dificuldades”, descreve Paifer.

Em municípios da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), como Piedade e Itapetininga, que têm uma forte tradição no cultivo de hortaliças e grãos, a situação é igualmente desafiadora. As Casas de Agricultura locais confirmam que grãos como feijão, soja e trigo sofreram danos irreversíveis, afetando tanto a oferta quanto os preços no mercado. A estiagem prolongada comprometeu o desenvolvimento das plantas e, em muitos casos, as áreas irrigadas não conseguiram suprir a demanda de água.

O agricultor de Sorocaba observa que a produção de grãos também é bastante afetada. “A produção de grãos vem sofrendo bastante, porque soja, trigo, milho e feijão são produtos que não têm como plantar com esse tempo seco. É prejuízo na certa. Então, produtores de grãos não têm como produzir e vêm há um ano tendo prejuízo.”

Embora a volta das chuvas tenha gerado algum otimismo inicial, não chegaram na medida para reverter o quadro crítico da agricultura. O solo ainda apresenta sinais de ressecamento, o que dificulta a absorção adequada da água e o pleno desenvolvimento das plantas. “A umidade do solo melhorou um pouco, mas não foi o bastante para corrigir o déficit hídrico acumulado durante as semanas de seca”, aponta Paifer.

Safras comprometidas

O impacto econômico das perdas também preocupa os agricultores. As culturas mais sensíveis, como frutas e hortaliças, já registram uma queda na produtividade. “Nenhuma dessas hortaliças são beneficiadas, porque o produtor continua produzindo, mas devido ao calor, a necessidade de maior irrigação, e como algumas irrigações hoje em dia são por energia, outras usando o diesel — os motores de irrigação —, aumenta também o gasto e o custo de produção”, explica o agricultor de Sorocaba.

De acordo com sindicatos rurais da região, a falta de umidade prolongada coloca em risco o planejamento agrícola para o resto do ano. O Sindicato Rural de Piedade alerta que, embora as chuvas possam amenizar a situação de forma pontual, os agricultores precisarão de mais tempo e estabilidade climática para ver uma melhora real.

“A chuva que veio não foi suficiente para reverter o cenário de perda. Precisamos de um ciclo contínuo de chuvas regulares para garantir a recuperação das plantações”, afirma o Sindicato Rural de Piedade, em nota.

Em Itapetininga, os agricultores continuam monitorando as condições climáticas na esperança de que as chuvas se tornem mais consistentes nas próximas semanas. No entanto, muitos já consideram o ano de 2024 como um período de grandes desafios, com as previsões de produção sendo revisadas para baixo.  (João Frizo - programa de estágio)