Digitalização reduz rede de agências bancárias
São 70 atualmente em Sorocaba, queda de 30% desde 2018; número de bancários também caiu significativamente
A digitalização dos serviços bancários tem transformado profundamente o ambiente das agências em Sorocaba, assim como em outras cidades do País. Em um cenário onde caixas eletrônicos ocupam grande parte do espaço físico das agências e o atendimento convencional no caixa se torna cada vez mais raro, os clientes estão sendo redirecionados para as operações digitais. A orientação para utilizar serviços de internet banking ou caixas eletrônicos faz parte da nova realidade que reformulou o papel das agências bancárias.
A atual edição da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária aponta que as instituições participantes registraram 186 bilhões de transações, o que representa um acréscimo de 19% em relação ao ano anterior. Em 2023, foram feitas 130,7 bilhões de operações bancárias nos dispositivos eletrônicos dos clientes, um avanço de 22% em comparação ao ano de 2022.
Sete em cada dez transações bancárias dos brasileiros são feitas pelo celular, consolidando esse meio como o preferido da população para seu relacionamento financeiro. Entre 2019 e 2023, as transações pelo smartphone tiveram um significativo crescimento de 251% no País — enquanto o volume de transações totais dobrou, as movimentações pelo smartphone cresceram 3,5 vezes.
Encolhimento
Essa transformação, no entanto, trouxe consigo algumas mudanças estruturais. Em Sorocaba, por
exemplo, dados revelam uma diminuição expressiva no número de agências e postos de atendimento. Em 2018, a cidade contava com aproximadamente 100 agências, mas esse número tem caído gradativamente com a transição para o digital, resultando em 88 agências no município, em 2023. Atualmente, até setembro de 2024, Sorocaba possui 70 agências bancárias.
Segundo Júlio César Machado, presidente do Sindicato dos Bancários de Sorocaba, foi feito um rápido levantamento na semana passada e “somente os três maiores bancos privados (Bradesco, Itaú e Santander) fecharam em média seis agências, cada uma, neste ano só em Sorocaba”.
Machado destaca que o Sindicato dos Bancários está saindo de uma campanha salarial com a duração de
dois meses. “Os banqueiros já afirmaram que não querem mais trabalhar em agências de ‘tijolo’ e partir
para as virtuais”. Depois da reforma trabalhista de 2017 as homologações não são mais feitas no sindicato e “isso acaba dificultando significativamente o controle”, explica.
Com o fechamento dessas agências, o desligamento de funcionários acaba se tornado um fator de grande importância. Segundo o presidente do sindicato, “cada agência fechada tinha em média oito funcionários (e com isso) tivemos seguramente o desligamento de aproximadamente 100 funcionários em Sorocaba”.
Machado observa que “nos anos 80 tínhamos 12 mil bancários nos 27 municípios da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) e hoje temos 3.500”.
O presidente do sindicato afirma que o movimento nos caixas é muito raro e por conta dessa baixa movimentação muitas agências não têm funcionários. “Os documentos são pagos pela internet, os cheques se extinguiram, o número de funcionários é cada vez menor, os clientes praticamente não entram nas agências e transformaram essas filiais em escritórios de negócios, agora sem portas com detector de metais e sem vigilantes”, relata.
Machado ressalta que, com a diminuição do número de agências, muitos bancários foram desligados ou realocados para funções diferentes, enquanto a pressão sobre os funcionários restantes aumentou. “A pessoa não tem estímulo para fazer mais nada, chegam a pensar até em suicídio, e isso acontece muito com a categoria bancária, porque o colega dentro do banco acorda de manhã e tem que vender carro, na hora do almoço muda para financiamento imobiliário”, explica.
A Síndrome de Burnout, caracterizada pelo esgotamento físico e emocional causado por condições
extremas de trabalho, tem sido uma preocupação crescente entre os trabalhadores bancários, diz ele.
Transações on-line
Dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indicam que, em todo o País, as transações feitas por meio de aplicativos e internet banking dispararam nos últimos anos. Segundo o estudo mais recente da entidade, em média, 52 transações mensais são feitas por conta no canal mobile banking. Do total de clientes ativos no mobile, 72% são “heavy users”, ou seja, clientes que fizeram mais de 80% das suas transações neste canal nos últimos três meses. “A praticidade e a conveniência oferecida por dispositivos móveis os tornam os preferidos dos clientes — para os heavy users, os acessos às plataformas bancárias ocorrem pouco mais de uma vez ao dia”, informa a Febraban, em nota.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Sorocaba, Júlio Machado, afirmou que as agências estão se tornando “escritórios de negócios”. De acordo com a Febraban, algumas agências se transformaram em unidades de negócios. “(Elas) visam atender o novo perfil do consumidor, que busca, e encontra, comodidade, segurança e rapidez nos meios eletrônicos dos bancos. Além disso, cada vez mais os clientes vêm utilizando as agências bancárias como ponto de atendimento e fechamento de negócios, migrando as operações transacionais para os meios digitais, para sua conveniência.”
De acordo com o estudo da federação, praticamente todas as operações bancárias podem ser feitas de forma eletrônica. Pelos canais digitais dos bancos é possível fazer pagamentos de contas, transferências, DOCs e TEDs, contratações de crédito, investimentos e aplicações, consultas de saldos e extratos, contratar seguros e planos de previdência, renegociar dívidas, entre outras operações. (João Frizo - programa de estágio)