Resgatar projetos de vida faz parte do tratamento oferecido pelo Grasa

Atualmente, o Grasa disponibiliza 40 vagas, por meio de parceria com a Prefeitura de Sorocaba, sendo uma parte masculina e outra feminina

Por Beatriz Falcão

Estratégia adotada pelo Grasa tem foco no indivíduo, ao invés da dependência química em si

O Grupo de Combate à Droga e Álcool Santo Antônio oferece acolhimento e serviços para dependentes químicos. A coordenadora do Grasa, Gisele Furlan, relata que, há 30 anos, os idealizadores da entidade iniciaram com turmas de orientação às famílias do bairro Vila Haro.

“Com o tempo, eles sentiram a necessidade de montar um serviço de atendimento direto aos dependentes, uma vez que, na época, existiam poucas comunidades na região”, conta Gisele. “Ao montar a sua própria unidade, o Grasa sempre prezou pelo acolhimento digno e humanizado, respeitando o desejo das pessoas em permanecer ou não conosco”.

Segundo a coordenadora, um dos diferenciais do Grasa é o foco direcionado ao indivíduo, ao invés da dependência química. “Usar drogas ou não é apenas um dos pontos trabalhados no nosso serviço de acolhimento, mas, talvez, nem seja o mais importante. Nós entendemos que resgatar projetos de vida, destacar potencialidades, apresentar outros prazeres são estratégias essenciais para as pessoas permanecerem bem quando concluírem o período conosco”, aponta.

Para Gisele, os resultados positivos, muito além de motivação, também são ótimos para mudar a visão da sociedade. “Penso que se cada um olhasse com mais carinho, haveria menos preconceito com este público e também com as instituições sérias que atendem essa demanda, como é o nosso caso. Infelizmente, é muito comum encontrar barreiras para estabelecer parcerias”, afirma.

Patrícia das Graças Santos também trabalha no Grasa e acompanha diariamente os acolhidos. “Como psicóloga, eu auxilio na criação de um novo projeto de vida, porque a adicção não é somente um problema de álcool e drogas, é comportamental. Não adianta ele largar do vício e continuar se comportando como antes”, esclarece.

Após dois anos no grupo, a profissional nota cada vez mais a questão da vulnerabilidade social, que leva muitos jovens a entrar no mundo dos entorpecentes. “A maioria das histórias de vida já teve dependentes químicos na família, já vem de uma criação de poucas oportunidades, não tinha um lazer saudável e muito menos poder aquisitivo para praticar algum esporte. Portanto, essas situações colaboram para a pessoa chegar ao vício”, afirma.

Atualmente, o Grasa disponibiliza 40 vagas, por meio de parceria com a Prefeitura de Sorocaba, sendo uma parte masculina e outra feminina. Além do acolhimento e serviço de assistência psicológica, o grupo oferece atividades e cursos educativos, como construção civil, culinária profissional, manicure e pedicure.
“Às vezes, a pessoa está tão no automático lá fora, vivendo desregradamente e não consegue olhar para si mesma. Portanto, esses cinco meses de acolhimento são um momento para olhar para si, reconhecer o que não está legal e ter a oportunidade de mudar”, define Patrícia.

Mais informações estão disponíveis em https://grasasorocaba.com.br/, ou pelo telefone (15) 3237-6559. (Beatriz Falcão)