Professor preso por abuso tem histórico de importunação sexual

Homem, de 37 anos, foi acusado de cometer o crime em 2021 em uma escola de Pilar do Sul

Por Vanessa Ferranti

A Delegacia de Defesa da Mulher investiga o caso

O professor preso suspeito de abusar sexualmente de uma aluna, de 9 anos, em uma escola municipal de Sorocaba, já foi acusado de importunação sexual em outra ocasião. A informação foi divulgada na manhã desta quarta-feira (1º) pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em uma coletiva de imprensa realizada na Delegacia Seccional de Sorocaba. O crime teria ocorrido em 2021 contra duas alunas, da mesma faixa etária, em uma escola da cidade de Pilar do Sul.

Segundo a delegada Alessandra Silveira, responsável pelo caso, na época o homem aceitou um acordo e não foi condenado. "A tipificação que foi dada na ocasião, considerando os fatos, foi de importunação sexual, então, coube um acordo de não perseguição penal. Ele admitiu os fatos, concordou com essa proposta do Ministério Público prevista em lei, cumpriu as restrições que foram impostas e teve a punibilidade extinta”, informou. Ainda de acordo com a delegada, isso significa que existe o processo relatando esses fatos, no entanto, não consta antecedentes criminais em seu nome.

O caso de abuso sexual envolvendo um professor ganhou repercussão na segunda-feira (30) depois que o homem, de 37 anos, docente de uma escola municipal de Sorocaba, foi preso pela equipe da DDM. Para preservar a vítima, a identidade do suspeito e o nome da escola não foram divulgados.

Segundo a Polícia Civil, o homem teria praticado atos libidinosos contra a aluna da 4ª série do ensino fundamental. As investigações apontam que os abusos ocorrem desde o início do ano, mas o caso chegou à polícia em 18 de outubro, após a vítima ter relatado os abusos à sua mãe, que procurou uma delegacia e registrou um boletim de ocorrência.

A Secretária de Educação (Sedu) foi comunicada e a menina passou pela Escuta Especializada -- procedimento destinado a acolher e obter informações detalhadas de vítimas, especialmente crianças, que sofreram crimes dessa natureza. Durante o processo, a criança detalhou o que vinha ocorrendo.

De acordo com a delegada, na sala de aula, o professor chamava a menina e a mandava ficar atrás da mesa, em uma posição em que os demais alunos não conseguissem perceber o que estava acontecendo.  Nesses momentos, ele praticava os abusos contra a vítima. Mesmo tentando esconder, outras alunas relatam ter presenciado o crime em sala de aula. Há, ainda, a suspeita de que outras meninas possam ter sido vítimas do homem.

Além disso, o professor tentava ganhar a confiança das crianças através de presentes, como lápis e miçangas, e, ainda, instalou uma plataforma de jogos nos dispositivos das estudantes para manter conversas com elas. “Ele também teria instalado um joguinho que as crianças dessa faixa etária gostam de jogar e se comunicava com elas fora do horário de aula. Durante um dos jogos ele fazia com que os bonequinhos interagissem se beijando, durante os jogos ele também assediava a vítima”, explicou a delegada.

Para ficar ainda mais próximo da menina, o professor teria dito à mãe da vítima que o tablet, fornecido pela Secretária da Educação, estaria em manutenção e, por isso, forneceu um tablet dele para a menina utilizar em casa.

Após todos os relatos, o homem foi afastado do cargo e mesmo depois de deixar a sala de aula teria entrado em contato com as crianças para intimidar os alunos. “Ele teve conhecimento da acusação e entrou em contato, por meio de aplicativo eletrônico, com a vítima e com colegas de sala, em uma forma de intimidar, dizendo que ele seria prejudicado, pedindo para que outras alunas verificassem o que estava acontecendo, usando a influência que ele tinha como professor para tentar convencer a vítima e influenciar as demais alunas”, destacou a delegada Alessandra Silveira.

Dessa forma, o homem teve a prisão temporária decretada por 30 dias. A Polícia Civil também cumpriu mandados de busca e apreensão em três endereços: na escola em que ele trabalhava, em uma residência em que ele já morou em Sorocaba e na casa em que ele vivia atualmente, em Pilar do Sul. Na ocasião, foram apreendidos equipamentos eletrônicos. Os materiais passarão por perícia.

Se condenado, ele pode responder por estupro de vulnerável, com pena mínima de oito anos. A Polícia Civil continua investigando o caso para constatar se outras alunas também foram vítimas de abuso sexual. A DDM verificará, também, se o homem teria praticado outros crimes envolvendo crianças.

Prefeitura de Sorocaba diz que denúncia é caso isolado

A Prefeitura de Sorocaba informou que a denúncia sobre abuso sexual em uma escola municipal é um caso isolado e que o ato criminoso "não reflete o excelente trabalho prestado pelos servidores públicos municipais".

Por meio de nota, o Executivo ressaltou, também, que a Secretaria da Educação (Sedu) colabora com a investigação da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e continua reiterando as orientações preventivas sobre o tema para o corpo docente da unidade, bem como para toda a comunidade escolar da rede.

A Prefeitura de Sorocaba destacou, ainda, que por determinação do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), assim que a denúncia foi recebida, por parte da mãe, o professor foi imediatamente afastado e o caso informado à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). O Município informa que está dando toda a assistência possível à família da criança.