Radares são testados há oito anos em Votorantim

Mesmo sem multar, sistema disciplina o trânsito, dizem empresa e prefeitura

Por Virginia Kleinhappel Valio

Equipamentos começaram a ser instalados em março de 2015, por meio de comodato

 

Oito anos após o início da implantação, o sistema de radares de Votorantim possui apenas sete equipamentos em operação. Mesmo assim, o funcionamento continua em regime de teste. A Splice, empresa responsável pelo serviço, informou que não há previsão para a aplicação de multas.

O primeiro equipamento foi instalado em março de 2015, na avenida Gisele Constantino, próximo ao número 659, no sentido bairro/centro. Na avenida 31 de Março, são ao menos três conjuntos de equipamentos somente no sentido da Raposo Tavares para o Centro.

Segundo a Splice, há um contrato de comodato entre a Splice e a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) de Votorantim, mas sem despesas para o município. “Não há nenhum custo por parte da Prefeitura para a conservação e/ou manutenção destes equipamentos, sendo de total responsabilidade da Splice”, explicou a empresa, acrescentando que os dados recolhidos são encaminhados à Semob para geração de estatísticas.

Questionada se poderiam ser colocados vários radares em um mesmo trecho, a empresa explicou que foram instaladas lombadas eletrônicas educativas em ambos os sentidos da avenida 31 de Março como forma de reduzir a velocidade dos veículos e permitir que os pedestres atravessem a via em segurança. “Esta solicitação foi feita na época, pela antiga Faculdade Anhanguera à Splice, por haver um grande fluxo alunos e funcionários”.

Ainda de acordo com a Splice, embora os radares não apliquem multa, contribuem para a melhoria do trânsito, pois leva os motoristas a respeitar os limites de velocidade. Até o momento, não há planos para os radar instalados em Votorantim passem a funcionar integralmente.

Prós e contras

Para o administrador de empresas Cláudio Rodrigues, 59 anos, os radares deveriam aplicar multas. Ele utiliza a avenida 31 de Março todos dias há quatro meses e desconhecia que os radares são apenas testes: “Acho que tem que aplicar multa sim. Radar é disciplina, principalmente entre os mais jovens. Eu já tenho 59 anos, mas os mais jovens, quando não tem lombada e a pista é longa, correm. Nós sabemos que tem os radares ali e tem que andar dentro da legalidade. E quando dói no bolso, a gente respeita”.

Na opinião dele, substituir os radares por lombadas prejudicaria o trânsito. “Lombada é atrasado de vida. Acho que a gente tem que ter o radar, respeitar o limite de velocidade”. Sobre a proximidade entre os radares, o motorista faz críticas: “Para que tanto radar um atrás do outro em um trecho que é 50 km/h? São três radares seguidos. É matar uma formiga com pata de elefante. Não precisa disso, somente de um radar e sinalização”.

O administrador conta que por diversas vezes presenciou motoristas freando e quase colidindo na traseira de outros veículos por serem surpreendidos pela sequência de radares. “Já vi várias vezes quase acontecer um acidente. Porque a pessoa vê um outro radar e freia. Já vi caminhão quase bater na traseira de quem freou.”

Enquanto para alguns o radar educa, para outros, só atrapalha. Essa é a opinião do autônomo Moacir Benato, de 42 anos. “Não concordo com a instalação dos radares porque atrapalha o trânsito. Se ele não aplica multa, ele só funciona para causar mais trânsito na via. E tem lugar que tem radar e semáforo em seguida. Ao menos, devia estar marcando que é teste, mas fica ali, enganando a população”, disse.

Diferente do administrador, Moacir acredita que os radares deveriam ser substituídos por lombadas: “Não deveriam colocar os radares para funcionar. Já tem trânsito e é um caos. Isso atrapalha todo mundo, até caminhão. Educação todo mundo tem. Ninguém fica correndo nas avenidas. Todo mundo aqui é educado. Radar é só para atrapalhar. Deviam fazer lombada, já fica excelente. A pessoa diminui a velocidade, passa e vai embora”.

Muralha eletrônica

Em nota, a Prefeitura de Votorantim confirmou os equipamentos estão instalados em comodato com a Splice e que operam como muralha eletrônica. “Estão sendo feitos alguns ajustes e coletados dados, os quais darão suporte para a implantação em outros locais para coibir abusos e atender aos pedidos de moradores”. (Virginia Kleinhappel Valio)