Médico Renato Hidalgo, da Unimed, é referência em transplante de fígado
No Estado de São Paulo, por exemplo, em 2021, foram realizados 584 procedimentos e em Sorocaba 32
O transplante de fígado -- também chamado de hepático -- é o segundo tipo mais comum de transplante de órgãos, de acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos. É a única opção no caso dos indivíduos cujo fígado deixou de funcionar. No Estado de São Paulo, por exemplo, em 2021, foram realizados 584 procedimentos e em Sorocaba 32. Um dos médicos responsáveis pela realização das cirurgias na cidade é Renato Hidalgo, de 46 anos, referência na área. Nos últimos seis anos, ele e sua equipe realizaram mais de 200 transplantes. Para alcançar o sucesso, o médico atribui a diversos fatores: bagagem na faculdade, o trabalho com grandes profissionais e a família.
Renato disse que já gostava da área cirúrgica antes mesmo de ingressar na PUC de Sorocaba para estudar medicina. Mas, foi na faculdade que descobriu a paixão pelos transplantes de fígado por meio do professor Ben-Hur Ferraz Neto que, inclusive, foi seu mentor logo que se formou em 2005. Foi Ben-Hur quem o convidou para trabalhar em sua equipe. E assim foi ao longo de 11 anos, compartilhando experiências, aprendizados e reconhecimento.
Em março de 2016, deu início a uma nova etapa de sua vida profissional ao aceitar o convite do Hospital Unimed para liderar a equipe das cirurgias hepáticas. De lá para cá, já foram 204 transplantes de fígado. “A marca é a concretização de um trabalho de equipe. A cirurgia só dá certo porque tem uma cadeia de pessoas envolvidas, um grupo muito grande pensando e agindo na mesma direção”, disse. Recentemente a equipe comandada pelo cirurgião Renato Hidalgo -- especialista no aparelho digestivo -- recebeu a notícia de que o Centro de Transplante da Unimed Sorocaba apresenta o melhor resultado Estado de São Paulo.
“Me considero uma pessoa de sucesso, mas não só no profissional porque acho que conseguir fazer uma coisa que te dá prazer e ainda ser bem-sucedido é algo que transcende o lado profissional, por isso acredito que eu seja uma pessoa abençoada por conseguir levar a vida que me dá muito prazer e com bons resultados, ainda mais quando está em jogo ajudar outras pessoas”, disse o médico.
Ele lembrou que durante os primeiros anos de carreira, precisou aprender com os erros e assim tirar grandes lições, pois demorou para educar-se com os insucessos. “Eu exerço uma atividade que tem muito risco para os pacientes, já que muitas vezes são casos graves. Então, pela natureza da doença existe uma chance muito grande do paciente não sobreviver. Por isso, o nosso papel é de mudar essa história, mas quando a gente tem um insucesso -- o falecimento de uma pessoa -- é um pouco pesado e desafiador lidar com isso. E mesmo depois de várias cirurgias, sempre que isso acontece, fico mexido eu ainda tenho bastante pesar, mas acho que melhorou bastante”, analisou.
Apesar de tudo e os pontos altos e baixos da profissão, Renato busca melhorar e ofertar uma medicina de alta qualidade para o maior número de pacientes que puder. E dentro desse desejo estão os atendimentos e transplantes realizados em Sorocaba, cerca de 95%, via Sistema Único de Saúde (SUS). Para ele, o programa é de excelência, porém a melhoria deveria acontecer na gestão, já que “o Brasil tem hoje o maior sistema público de transplantes do mundo, é o único país que distribui medicação contra rejeição (os imunossupressores) para o paciente de graça e que arca com todos os custos dos transplantes”.
Família, bem precioso
Atrás do ambulatório, centro cirúrgico e do consultório médico existe uma família que dá a base para que Renato Hidalgo consiga desempenhar seu papel na área médica de maneira tão exemplar. Filho de funcionários públicos, os pais se desdobraram para que ele tivesse estudo de qualidade e fizesse a faculdade. Mas não é só os pais que o médico cita como alicerce. Casado e pai de dois filhos -- Rafaela com 8 anos e Henrique com 6 -- ele enfatiza que tudo que tem hoje é porque a família é o pilar. (Thaís Marcolino)