Alunos de escola estadual localizam asteroides em parceria com a Nasa
Projeto chamado 'Caça Asteroides' foi iniciado pela escola no ano passado e estudantes poderão nomear objetos
Alunos da escola estadual professora Antônia Lucchesi, em Sorocaba, localizaram quatro asteroides por meio do projeto “Caça Asteroides” em parceria com a Nasa, que é a agência do governo federal dos Estados Unidos, responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial.
Após avaliação final da Nasa, os quatro asteroides foram confirmados e poderão ser nomeados pelos estudantes, que receberão as certificações no próximo dia 22 deste mês. Na mesma data, eles também ganharão medalhas conquistadas na Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA) e na Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG).
A pandemia da Covid-19 ainda afetou alunos de escolas públicas e particulares no mundo todo no ano passado, e não foi diferente com os estudantes da Antônia Lucchesi, no Jardim Leocádia. Mesmo com aulas remotas, eles iniciaram o projeto “Caça Asteroides”, em parceria com a Nasa, e nem imaginavam os resultados que teriam.
A professora e coordenadora geral da área de ciências humanas, Yolanda Andrade, conta que, mesmo com os alunos participando das aulas remotas de suas casas, foi possível iniciar o projeto por meio de vídeo chamadas e computadores conectados com internet. “Por meio de um software específico, os alunos conseguiam localizar e cadastrar os asteroides. Depois fazíamos relatórios a respeito das atividades e enviávamos para a Nasa”, conta.
Os asteroides são corpos rochosos de estrutura metálica que orbitam em torno do sol como os planetas, mas que possuem uma massa muito pequena em comparação a eles. A professora disse ainda que, desde o início do projeto, os estudantes já conseguiram localizar, no total, 21 asteroides. Porém, até o momento, quatro já foram confirmados pela Nasa.
“Ao fazerem as primeiras identificações, os possíveis asteroides recebem a classificação de provisório. Essa conquista foi o resultado de muito esforço. Durante o ano de 2021, mesmo remotamente, seguimos juntos analisando as imagens. Especialmente para os alunos foi uma experiência imensurável, que se sentiram como cientistas da Nasa, contribuindo para a descoberta de mais asteroides”, afirmou Yolanda Andrade.
A professora disse ainda que as primeiras observações espaciais dos alunos começaram em 2015, mas o projeto em parceria com a Nasa começou no ano passado. “Foi participando de competições como a Olimpíada Brasileira de Astronomia e a Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG) e outras premiações da área científica que os estudantes da Antônia Lucchesi conquistaram gabarito para iniciar a parceria com a Nasa.
Visita ilustre
Após participarem do evento chamado “Science Days”, em 15 de março deste ano, na Facens, no dia seguinte, os estudantes da escolas estadual Antônia Lucchesi receberam a visita do engenheiro aeroespacial da Nasa, Gabe Gabrielle. Na unidade escolar, o engenheiro apresentou a palestra motivacional “Ao infinito e além”, e ficou encantado com o interesse e a participação dos alunos no projeto “Caça Asteroides”.
A visita ilustre foi ainda mais especial para os alunos diretamente envolvidos no projeto: Ana Luiza Marçal de Oliveira, Beatriz de Andrade Leite, Caio de Andrade Nogueira e Luiz Fernando Alves Santos, que utilizaram o software Astrometrica para localizar os objetos em movimento, no ano passado. Eles contaram que para participar dessa missão, como cientistas cidadãos da Nasa, criaram uma equipe denominada “Lucchesi in the Sky”, sob a orientação da professora Yolanda Andrade.
Luiz Fernando Alves Santos já gostava de astronomia e depois de participar do “Caça Asteroides” pretende ser astrofísico. “A melhor parte do projeto foi o resultado que tivemos. E por trás do resultado há um grande trabalho e planejamento. Como equipe trabalhamos muito bem um com o outro para localizarmos os asteroides. No futuro, quero ser astrofísico e o projeto na escola estimula muito e incentiva a estudar ainda mais o assunto. Vou levar isso para a minha vida”, conta orgulhoso.
Para o diretor da escola estadual, Rafael Tadeu Santos, o sucesso da participação dos estudantes na parceria com a Nasa é um trabalho pioneiro e fruto de várias ações e atividades que ao longo de todo ano letivo são desenvolvidos na unidade, que possui cerca de 170 alunos, do sexto ao nono ano, em período integral. “Temos professores muito envolvidos e a escola em período integral proporciona diversos projetos, com os mais variados assuntos de interesse dos alunos. Isso faz toda a diferença na vida escolar desses adolescentes”, diz. (Da Redação)